Lula defende crescimento para ajuste fiscal e Fl�vio fala em corte de gastos; veja o que disseram nas sabatinas

Lula defende crescimento para ajuste fiscal e Fl�vio fala em corte de gastos; veja o que disseram nas sabatinas

A pouco mais de uma semana antes do segundo turno das eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram caminhos distintos para o ajuste das contas públicas nas sabatinas na TV Globo nesta quinta (15) e sexta-feira (16), respectivamente. O presidente apostou no crescimento econômico como forma de fazer o ajuste e citou medidas para conter o endividamento, como o Desenrola, enquanto que o senador prometeu cortes de gastos e a venda de imóveis da União para elevar receitas. Ambos defenderam preservar os mais pobres dos efeitos do ajuste e o fim da escala 6x1. A economia teve mais espaço na entrevista do petista, com temas como endividamento e Bolsa Família, enquanto Flávio teve menos espaço para questões econômicas e deu destaque a assuntos ligados à família Bolsonaro. O senador respondeu sobre a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a tentativa do golpe de 8 de janeiro, que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, e a possibilidade de nomear familiares para cargos em um eventual governo. Veja o que disse Lula Juros e dívida pública Lula rejeitou a tese de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, de que o modelo de crescimento por consumo se esgotou. Para o petista, o ajuste fiscal vem do crescimento. Disse que está preocupado com a dívida, mas não sinalizou mudança de rumo. Ele também defendeu o endividamento para investimento em ativos produtivos e prometeu que o Brasil estará entre as oito maiores economias no próximo ano. Escala 6x1 Lula elogiou o fim da escala 6x1. "Eu tenho certeza que a aprovação da escala 6 por 1 é uma coisa maravilhosa para as pessoas". Disse também que pretende colocar no programa do governo o transporte gratuito no final de semana, já que as pessoas vão ter dois dias de descanso. Bolsa Família Lula afirmou que não sabia que o benefício não tinha sido reajustado em seu mandato e descreveu uma bronca nos ministros. Afirmou que havia espaço fiscal para o reajuste e defendeu o Orçamento de 2027 com superávit primário de 0,1% do PIB, frente ao déficit de 2,8% que diz ter herdado do governo Jair Bolsonaro. Endividamento das famílias Lula citou as três edições do Desenrola e uma medida provisória na Câmara que prevê um leilão em que a União compraria dívidas com mais de dois anos e até R$ 4.000. Lula espera descontos de 90% a 95% e mencionou um estoque de R$ 150 milhões. O presidente mencionou a anistia de R$ 12,7 bilhões em dívida ativa de MEIs (microempreendedores individuais). Também citou um aval de R$ 5.000 para quem quitar as dívidas e disse que nada disso mexe no espaço fiscal. Conta de luz Culpou a privatização da Eletrobras "a troco de banana" e disse que essa foi a causa para a alta das tarifas. Citou o projeto de atrair R$ 500 bilhões em data centers e a abertura do mercado livre de energia a todos os consumidores. Rejeição ao governo Lula iniciou a sabatina comentando sobre a rejeição ao governo e fez uma autocrítica, assumindo toda a responsabilidade por não ter conseguido comunicar o que fez neste mandato. Atribuiu a frustração à comparação com o fim do segundo mandato, em 2010, e ao que classificou como desmonte herdado do governo Jair Bolsonaro. Governabilidade e Congresso O presidente negou que a frente ampla que o ajudou nas eleições de 2022 tenha fracassado e respondeu sobre a dificuldade que terá, caso eleito, em governar com maioria de oposição no Congresso Nacional. Disse que aprovou 99% do que enviou ao Congresso, incluindo a reforma tributária, e que todos os partidos, exceto o PL, tiveram ministérios. Sobre a ausência desses partidos na campanha, disse que nunca pediu apoio eleitoral a aliados do governo. Estados Unidos e Trump Lula descreveu a relação com Trump como a mais civilizada que o americano teve com presidentes de outras nações. Citou três conversas e disse que a negociação comercial está em curso. O presidente afirmou que, embora o Brasil tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, cresceu 20% com a China, 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã e 10,5% em média com outros 50 países. Lula também ameaçou usar a Lei da Reciprocidade, mas disse que prefere negociar. PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas O presidente manteve posição contrária à designação americana das facções criminosas como organizações terroristas. O presidente argumentou que as facções só querem dinheiro e não se enquadram no conceito de terrorismo de Estado, como defendem os Estados Unidos. Disse que, paras as comunidades brasileiras, as facções são terroristas, e citou a proposta de cooperação entregue a Trump. Segurança pública e gás de cozinha O presidente disse que a prioridade é aprovar a PEC da Segurança e, em seguida, criar o Ministério da Segurança Pública. Prometeu financiar 138 presídios de segurança máxima para cortar o comando do crime de dentro das cadeias e falou em libertar os territórios da interferência de facções na venda de gás e no Bolsa Família. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. STF e caso Master Lula disse não saber avaliar se a crise do Supremo Tribunal Federal afetou seu desempenho no primeiro turno e atribuiu à extrema direita o interesse em cassar o mandato do ministro Alexandre de Moraes pela prisão de Jair Bolsonaro. Citou os ministros Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques como também implicados no caso. Lula defendeu uma reforma do Judiciário com critérios de escolha, mandato para ministros e impedimento para quem é sócio de escritório que advoga no próprio STF. Encontro com Vorcaro no Planalto Lula comparou o encontro a visitas de outros banqueiros em crise, como Silvio Santos no caso do PanAmericano e o Digimais, banco vinculado à igreja Universal, do bispo Edir Macedo. O presidente disse que Vorcaro se queixou de perseguição política e citou nomes. Ricardo Lewandowski e contrato com Vorcaro Lula elogiou o ex-ministro da Justiça e disse não saber onde ele trabalhava antes da nomeação ao ministério. O petista disse que não cabe ao presidente acompanhar a vida dos auxiliares, mas admitiu que é preciso mudar muitas coisas. Ele defendeu uma quarentena entre agentes públicos. Maioridade penal Lula disse ser favorável a reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em crimes hediondos, uma posição que o PT historicamente nunca defendeu. Ressaltou que o tema não deve entrar na PEC da Segurança e que precisa ser discutido depois. Veja o que disse Flávio Bolsonaro Ajuste fiscal Flávio disse que o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar Lula do poder. Voltou a dizer que não fará economia com o salário mínimo e as aposentadorias, afirmando que irá diminuir despesas cortando ministérios e combatendo a corrupção. Admitiu que essas medidas sozinhas não alcançam a economia de mais de R$ 200 bilhões proposta por sua campanha. Mencionou que a União tem cerca de 30 mil imóveis (avaliados em R$ 1,7 trilhão), propondo colocá-los em um fundo de gestão/securitização para obter até R$ 200 bilhões em receitas novas. Defendeu estender o esforço fiscal aos poderes Judiciário e Legislativo, estimando um corte de até R$ 24 bilhões por ano em verbas indenizatórias e penduricalhos dos três poderes. Ele rejeitou privatizações de estatais estratégicas como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras. Escala 6x1 Flávio criticou a proposta de acabar com a escala 6x1 ao longo da campanha, voltou atrás e votou a favor da PEC (proposta de emenda à Constituição) na quarta-feira (15). Questionado sobre a mudança de posição, disse que sempre foi a favor de mais liberdade para os trabalhadores, inclusive para montar suas próprias jornadas. Acrescentou que voltou atrás após ouvir a população e ver que a maioria dos trabalhadores era favorável ao fim da escala. Também afirmou que, se eleito, não irá trabalhar para retomar a escala 6x1 (seis dias de trabalho com um de descanso). Juros Criticou o patamar atual da taxa básica de juros (Selic), disse que está 7 pontos percentuais acima das projeções de 2022 e que isso custa perto de R$ 1 trilhão a mais em juros. Mandato presidencial Flávio voltou a dizer que quer trabalhar pelo fim da reeleição presidencial no Brasil. Também afirmou que caberá ao processo legislativo definir se haverá mudança na duração do mandato. Prometeu ainda que, se eleito, abrirá mão da disputa eleitoral ao fim do mandato se o fim da reeleição não for implementado no país. "Eu só preciso de um mandato", disse. STF e caso Master Flávio afirmou que é necessário defender a instituição STF e não apenas ministros, citando Alexandre de Moraes e suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Também acusou o ministro de atuar pela reeleição de Lula e praticar perseguição política em suas decisões. Questionado sobre a relação de Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Jair Bolsonaro, com Vorcaro, ele disse que nenhum ministro deve estar acima da lei. Filme sobre Jair Bolsonaro Questionado sobre o pedido de recursos para o filme Dark Horse sobre seu pai a Vorcaro, ele voltou a defender que o contato se tratou de um pedido privado que não teve a ver com sua atuação como senador. Ele evitou prestar contas sobre o caminho dos recursos e comparou o repasse com outros patrocínios de Vorcaro, citando o programa de Luciano Huck na Globo. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Cargos à família Bolsonaro Flávio foi questionado sobre a possibilidade de oferecer cargos em um eventual mandato a membros da família Bolsonaro. Disse que seu pai nunca demonstrou vontade de trabalhar no governo e que indicá-lo a algum cargo está fora do radar. Também afirmou que o irmão, Eduardo Bolsonaro, não seria chanceler de seu governo. Acrescentou que o irmão é um perseguido político, voltando a citar o ministro Alexandre de Moraes. 8 de janeiro Flávio disse que seu pai foi condenado em uma farsa, e chamou de perseguição política o julgamento que condenou o ex-presidente. "Nunca queira ser julgado por seus inimigos", disse, citando mais uma vez o ministro Alexandre de Moraes. PCC e CV como organizações terroristas Flávio não foi questionado sobre a caracterização das facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA e não citou a decisão americana. Disse, no entanto, que se eleito, irá tratar chefes do PCC e do CV como narcoterroristas. Também prometeu usar as Forças Armadas para proteger fronteiras, combater o tráfico nessas regiões e "declarar guerra ao narcoterrorismo". Acesso a armas Flávio criticou o atual estatuto do desarmamento e disse que é uma "tese maluca" dizer que mais acesso às armas gera mais violência. Também elogiou medidas do governo do pai que levaram ao aumento da emissão de registros de porte de armas. Saúde Na esfera da saúde, falou sobre a intenção de indicar Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde. Ele elogiou o oftalmologista e disse que ele seria capaz de levar as boas práticas do Einstein Hospital Israelista, instituição que presidiu, ao SUS (Sistema Único de Saúde). Para o SUS, prometeu criar um prontuário único eletrônico para reunir dados das esferas pública e privada.

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