O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (27) um grupo de trabalho para avançar o andamento de um acordo entre Mercosul e Coreia do Sul. A fala foi feita durante visita do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, a Brasília. "Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um Acordo do Mercosul com a Coreia", disse o brasileiro. "Vamos melhorar nosso investimento, nosso comércio, mas também indústrias futuras como na área de defesa, aeroespacial, minerais críticos, carne. Um memorando de entendimento na área de cooperação científica vai servir como base crucial para melhorar a competitividade de ambas as nações", disse o presidente coreano. Mais cedo, no domingo (26), um acordo entre China e o bloco econômico foi um dos assuntos tratados em telefonema entre Lula e o líder chinês Xi Jinping. O líder coreano se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada, residência oficial do chefe do Executivo brasileiro. Após o encontro, os dois assinaram atos de cooperação e reafirmaram compromissos de parcerias. Um deles gira em torno das negociações sobre minerais críticos. "Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos", disse Jae-Myung. "E hoje, o presidente Lula e eu concordamos em expandir a nossa cooperação em todo o ciclo de vida dos minerais críticos na cadeia de suprimento desses minerais e também por meio desse acordo vamos criar uma base estável de oferta, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica", declarou. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou que nas tratativas os líderes reafirmaram o interesse em aprofundar o diálogo institucional e estimular iniciativas voltadas ao fortalecimento das cadeias produtivas de minerais críticos e estratégicos. Entre os principais eixos estão o incentivo ao processamento mineral, ao refino e à agregação de valor próximos às áreas de extração, além da promoção da pesquisa, do desenvolvimento, da inovação e da transferência de tecnologia. O texto também prevê o fortalecimento das capacidades institucionais, o incentivo a investimentos, especialmente nos segmentos intermediários e finais da cadeia mineral, e a criação de mecanismos permanentes de intercâmbio técnico entre os dois governos O governo brasileiro está buscando intensificar negociações com outros países depois da nova leva do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. As novas taxações impactam setores importantes da economia brasileira, e a gestão petista busca mitigar esses impactos investindo nos outros parceiros comerciais do país. Uma segunda parte do encontro entre os líderes foi feita no Palácio do Itamaraty. Conforme reiterado pelos líderes, o brasileiro e o coreano têm histórias com pontos parecidos. Ambos têm origem pobre e trajetória política próxima de sindicatos. Lula esteve na Coreia do Sul em fevereiro deste ano. Em 2025, o comércio bilateral entre o Brasil e o país asiático somou US$ 10,8 bilhões. A Coreia do Sul é o 19º país com mais investimentos em território brasileiro. Lula e Xi concordam em acelerar tratativa de acordo China-Mercosul A necessidade de acelerar o início das tratativas de um acordo entre o Mercosul e a China também foi um dos principais assuntos tratados no telefonema que ocorreu neste domingo (26) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder do regime chinês Xi Jinping. Segundo relato do Planalto, os líderes concordaram que era necessário acelerar o início da negociação, com "as flexibilidades necessárias". A publicação da mídia estatal chinesa não tratou do tema. A conversa durou mais de uma hora e partiu do lado brasileiro. O telefonema acontece cerca de quatro dias após o início da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, criando uma alíquota adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros. A decisão do governo de Donald Trump foi tomada a partir de uma investigação da Seção 301, feita pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que examina práticas comerciais consideradas injustas. A fala faz eco ao posicionamento da chancelaria chinesa feito após o estabelecimento das tarifas. Na ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que "as guerras tarifárias não têm vencedores e não servem aos interesses de ninguém". "A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outros países para defender o regime multilateral de comércio, que tem a OMC como pilar central, e para promover a equidade e a justiça internacionais", disse.
Lula anuncia grupo para avan�ar acordo entre Mercosul e Coreia do Sul
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