Lisboa |Público A Lufthansa venceu a disputa com a Air France-KLM para ser a acionista majoritária da TAP, preparando-se para adquirir 44,9% da companhia aérea portuguesa. O anúncio foi feito pelo governo de Portugal nesta quarta-feira (14). Antes do anúncio, a IAG (dona da Iberia e da British Airways) deixou a corrida, optando por não apresentar uma proposta após ter participado da fase inicial do processo de reprivatização. A decisão do vencedor ocorreu depois de o governo ter convidado, via Parpública (empresa de participações do governo português), a Lufthansa e a Air France-KLM a apresentarem novas propostas finais. Avião da TAP usado pela seleção de Portugal na Copa do Mundo de 2026 - Patricia de Melo Moreira - 12.jun.26/AFP Após ter iniciado o processo de privatização da TAP em julho do ano passado, o governo colocou como condições ao vencedor a manutenção do hub de Lisboa e um "ambicioso" plano de crescimento, com o "reforço da conectividade aérea, incluindo regiões autônomas, diáspora e países de língua portuguesa". Além disso, o governo exigiu a "expansão da operação aeroportuária nacional, com destaque para o Porto" e a "valorização dos centros de manutenção e engenharia". O objetivo é que o novo investidor ajude a TAP a crescer, já que o Estado está impedido, pelo menos no médio prazo, de injetar dinheiro na companhia aérea. Isto numa fase em que o setor atravessa mais uma crise, devido à subida de preços dos derivados de combustíveis por causa da guerra entre EUA e Irã. Do ponto de vista da Lufthansa, um dos ganhos é o acesso ao Brasil, reforçando a presença na América Latina, já que a empresa portuguesa é líder nas ligações aéreas entre a Europa e o território brasileiro. Agora, um passo importante para o negócio ser fechado é a aprovação dos órgãos reguladores, com destaque para a direção-geral de concorrência da União Europeia. O processo promete ser moroso, já que será analisada a operação do ponto de vista dos impactos na concorrência e nos passageiros, devido à concentração de mercado e à forte presença da TAP no aeroporto de Lisboa. Uma das possibilidades é que a Comissão Europeia aprove a transação, mas imponha contrapartidas como a cessão de slots —faixas horárias de aterrissagem e decolagem— em Lisboa. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões O ministro das Finanças de Portugal, Miranda Sarmento, afirmou que o impacto da receita obtida com a privatização da TAP na dívida pública só deverá ser sentido em 2028. Segundo antecipou o ministro, o processo de aprovação deverá demorar "entre 18 e 24 meses". Numa análise que fez à TAP em julho, a agência de classificação de risco Moody’s já tinha afirmado que o processo de entrada no capital da transportadora aérea portuguesa era "complexo" e podia se prolongar "por vários anos". TRABALHADORES COM DIREITO A 5% A venda da TAP inclui ainda 5% das ações que estão reservadas para os trabalhadores. Caso algumas fiquem por vender, serão adquiridas pelo grupo vencedor, que poderá assim ficar com mais do que 44,9%. No entanto, e ao contrário das privatizações do passado, a oferta pública não vai incluir um desconto de 5% para os trabalhadores conforme ficou estabelecido no caderno de encargos. A construção do novo aeroporto de Lisboa, onde fica atualmente o Campo de Tiro de Alcochete, está também na mira do novo investidor da TAP, potencializando o crescimento da operação aérea.
Lufthansa vence processo de privatiza��o e ser� maior acionista da TAP
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