Livro sobre casas machadianas debate o patrim�nio do Rio

Livro sobre casas machadianas debate o patrim�nio do Rio

Numa passagem das "Memórias Póstumas de Brás Cubas", o defunto autor, perambulando e filosofando, vai dar à porta do Pharoux, primeiro hotel de luxo estabelecido no Brasil, em 1838, famoso pela gastronomia e pelos vinhos franceses. Descobre-se com fome: "Não tendo deliberadamente andado, nenhum merecimento da ação me cabe, e sim às pernas, que a fizeram. Abençoadas pernas!". O hotel Pharoux ficava no largo do Paço, hoje praça 15. Para Machado de Assis, tudo na geografia do Rio de Janeiro de sua época tinha um significado íntimo, que moldou sua sensibilidade artística. Orgulhava-se de ter nascido na cidade, de ter morado nela a vida inteira —em 69 anos, o lugar mais distante em que esteve foi Barbacena (MG), com idas esporádicas a Nova Friburgo (RJ)— e de ter feito dela um personagem de sua obra. Como a Paris de Balzac ou a Londres de Dickens. Daí a relevância de um livro recém-lançado, "Machado de Assis: Caminhos de Suas Moradias na Cidade do Rio de Janeiro" (Editora Lacre), do arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti. Nele estão relacionadas, com base em documentos, mapas e material iconográfico, as nove casas em que morou o autor de "Dom Casmurro" —uma delas "esquecida" do rol oficial, o sobrado da rua da Alfândega, 123. Nireu contesta informações (Machado não viveu na rua de Matacavalos, atual Riachuelo, onde Bentinho e Capitu se conheceram), aponta placas instaladas pela prefeitura do Rio em imóveis errados (o correto é que o chalé de dois andares na rua Cosme Velho ficava no atual número 136) e revela a localização de uma residência no bairro de Laranjeiras, dada como demolida, mas que está de pé. Já casado com Carolina Xavier de Novais, Machado de Assis ficou na rua dos Andradas, na região central. Da casa, só resta a fachada. Outra moradia, um sobrado da rua da Lapa, 264, precisa de reforma urgente. O livro de Nireu Cavalcanti oferece a oportunidade de debater a preservação do patrimônio histórico e repensar a cidade machadiana. Alô, alô, prefeito Eduardo Cavaliere. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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