"No final da primavera de 2020, uma fonte confiável me ligou com uma história. O governo holandês havia monitorado o telefone de Jared Kushner, quando este acessava uma conta bancária sediada em Dubai. O que era estranho, disse a fonte, é que o dinheiro na conta —centenas de milhões de dólares— vinha de um banco no Azerbaijão. Kushner transferira quantias significativas para outros indivíduos, incluindo um senhor da guerra, um mercenário e um sujeito que já atuou como matador de aluguel. A história parecia absurda." Estas são linhas introdutórias de "Príncipes e ladrões: o plano secreto de Jared Kushner e Mohamed bin Zayed para refazer o Oriente Médio" (tradução livre, sem edição no Brasil), livro que acaba de sair nos Estados Unidos, com certo alarde. Seu autor é Matthew Cole, uma grife do jornalismo investigativo. E o que poderia ter rendido uma história ficcional eletrizante, com serviços secretos, subornos e jogos de poder, resulta numa teia muito concreta de ambições, protagonizada pelo genro de Donald Trump. Às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, a publicação de "Príncipes e Ladrões" incomodará o presidente americano e seu entorno. Kushner nega as tramas relatadas por Cole, que o envolvem em contatos para lá de especiais com as monarquias do golfo Pérsico, a Rússia de Vladimir Putin e o Israel de Binyamin Netanyahu. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Tudo começa com um hacker ligado à Rússia. Ao ser desmascarado por holandeses e correndo o risco de ser preso por britânicos, o sujeito resolveu mudar de lado e de patrão. É este habitante do submundo da web quem traz à tona, em telas capturadas do celular de Kushner, uma movimentação bancária espetacular, alimentada por um príncipe que queria ser rei (Mohamed bin Salman, da Arábia Saudita) e por outro que pretendia anular o acordo nuclear de Barack Obama com o Irã (Mohamed bin Zayed, dos Emirados Árabes Unidos). A partir daí, o autor se depara com o balcão de negócios aberto por Trump já no primeiro mandato. Em 2017, foram utilizados bancos no Azerbaijão para lavar somas vultosas em moedas árabes, convertendo-as em dólares americanos. Há outras contas geridas pelo primeiro-genro que, por mecanismos nada convencionais, desaguaram no Banco Central israelense. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O problema é que, no primeiro mandato do sogro, Kushner ocupava um cargo oficial no governo. Jamais poderia ter operado tais contas. Àquela altura, os projetos imobiliários do marido de Ivanka Trump não iam bem, incluindo as torres do número 666 da Quinta Avenida, em Manhattan, penduradas em um empréstimo bilionário. O jovem empreendedor soube se autoalavancar, o que pode ser questionado na Justiça hoje. Kushner voltou à Casa Branca no segundo mandato de Trump, desta vez, como conselheiro informal. Tanto no primeiro posto, quanto no atual, o bilionário se jacta de recusar salário da administração. Mas continua a ter acesso a informações estratégicas, algo vital à Affinity Partners, empresa de investimentos que criou em 2021. "Príncipes e Ladrões" nos leva a fazer indagações sobre outros interesses da família Trump –em criptomoedas, empresas de tecnologia, fabricação de armamentos, sistemas de defesa, empreendimentos imobiliários etc. Hoje o presidente americano conta com uma espécie de imunidade ampliada na Justiça. Daí, a parentalha aproveita. Enquanto o chefe do clã estiver entretido com suas canetas no Salão Oval, os negócios vão bombar. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Livro revela rodopios diplom�ticos e interesses escusos do genro de Trump
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