No final de abril deste ano, quando se tornou pública a informação de que a rádio Eldorado estava prestes a fechar, começou a mobilização dos seus ouvintes. Primeiro, pipocaram milhares de publicações indignadas nas redes sociais, que deram origem ao movimento #FicaEldorado. Depois, no início de maio, cerca de 400 pessoas se reuniram na avenida Paulista em protesto contra o encerramento das operações. Mais adiante, houve nova manifestação, desta vez na Casa de Francisca, espaço de shows no centro de São Paulo. "Os ouvintes da Eldorado nos deram algo muito valioso: a real percepção de que nosso trabalho fazia diferença na vida de muita gente. Éramos tratados como membros de suas famílias", escreve o diretor artístico da rádio, Emanuel Bomfim, que acaba de lançar "#VoltaEldorado". Embora lembre episódios e nomes relevantes dos 68 anos da emissora, o livro se concentra no período que vai de novembro de 2025, quando Bomfim soube que a Eldorado corria risco de sair do ar, a agosto deste ano, momento em que a sua equipe se reuniu novamente para preparar a nova fase da rádio, concretizada poucos dias atrás. O ápice da história, claro, é 14 de maio, o último dia da primeira e longa vida da Eldorado. O autor descreve e enaltece a movimentação dos ouvintes para que a rádio não fechasse e, em seguida, para que fosse reaberta. E revela um contraponto: houve pouco engajamento dos artistas ao longo de todo o processo. A decepção de Bomfim, também apresentador da rádio, é evidente. "Num país em que é tão difícil abrir espaços autênticos para a celebração da música, ainda mais da música independente, por que o fim da Eldorado não havia causado um furor em tantas vozes influentes?", questiona. A cantora Tulipa Ruiz e o DJ KL Jay estão entre as exceções citadas por ele. Bomfim lembra ainda que boa parte do público culpou a empresa O Estado de S.Paulo, que engloba o jornal e a rádio, pelo fim da Eldorado. Afirma que reações desse tipo eram injustas: "O Estadão não quis fechar a rádio deliberadamente. Houve uma imposição (a perda do dial) que nos levou para um beco sem saída", escreve. A fundação Gamaro —antiga Brasil 2000— havia pedido de volta a frequência 107,3, que era alugada pela Eldorado. Esse espaço no dial foi assumido pelo grupo Bandeirantes Em outro trecho, conta que a empresa preparava uma nota para informar seus leitores e ouvintes sobre o fim da Eldorado quando a Folha publicou a notícia em primeira mão. "Cinco minutos depois, meu WhatsApp parecia um formigueiro que alguém acabou de chutar", diz, sobre as mensagens de gente ávida por mais informações do caso. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulista Na sua escrita em primeira pessoa, Bomfim consegue unir o tom informal, uma característica da linguagem do rádio, e a busca da objetividade dos textos de jornal. Um toque criativo aparece nos títulos dos 16 capítulos, que se estendem por 160 páginas. É sempre o nome de uma música, acompanhada de seu compositor e/ou intérprete. No alto do primeiro capítulo, "Moving On", de Ryuichi Sakamoto, a última música transmitida na antiga frequência da rádio. O prefácio é assinado pelo jornalista Paulo Lima, publisher da revista Trip e apresentador do Trip FM, programa semanal da rádio. Lima, segundo Bomfim, foi um dos principais responsáveis pela nova vida conquistada pela Eldorado, agora na frequência 107,9.
Livro mostra os momentos finais e o retorno da r�dio Eldorado
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