Livro conta a carreira de Pedro Martinelli, �cone do fotojornalismo brasileiro

Livro conta a carreira de Pedro Martinelli, �cone do fotojornalismo brasileiro

Pedro Martinelli quase morreu na guerrilha da Nicarágua, fotografou os funestos voos da morte no incêndio do Joelma e clicou João Paulo 2º na rua dias antes de sua improvável nomeação como papa. Momentos como esses recheiam "Olho no Mundo", livro que conta a trajetória de Martinelli, um dos ícones do fotojornalismo brasileiro. Escrita por Carlos Maranhão, a obra é repleta de histórias saborosas. Não por coincidência, Maranhão organizou a biografia a partir de conversas temperadas pela culinária de Martinelli, craque também com as panelas. Não é exagero dizer que a jornada se confunde com a própria história do fotojornalismo moderno no Brasil, já que coincide com um dos períodos mais prolíficos da mídia escrita. Martinelli atuou intensamente na imprensa durante as décadas de 1970 a 2000 —época de estruturação profissional das grandes redações e da modernização do design gráfico. Nesse período, fotografou desde guerras e Copas do Mundo até ensaios para a revista Playboy. O livro não omite os insucessos de Martinelli. Ao narrar infortúnios sem constrangimentos, o biografado escancara seu processo e deixa claro que um fotógrafo se faz de tentativas e erros. Um deles ocorreu em seu primeiro grande trabalho. Em 1972, com apenas 22 anos, Martinelli foi enviado pelo jornal O Globo para documentar o inédito contato com os indígenas Panará, chamados à época de "índios gigantes". A operação foi liderada pelos irmãos Villas-Bôas, em virtude da construção da BR-163, já que a estrada passaria pelo território dos Panará. Depois de quase dois anos acompanhando Orlando e Cláudio, um incidente inusitado marcou o final da empreitada. Tudo a Ler Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias Após alguns cliques certeiros, Pedro caiu de uma canoa. Todo seu material foi literalmente por água abaixo. Indígenas do Xingu, que participavam da missão, mergulharam no rio e resgataram os filmes e as câmeras do fotógrafo. Desesperado, Martinelli pensou naquele momento em largar o ofício. Era o fim de sua mal iniciada carreira. Mesmo assim, os filmes foram enviados à sede da redação do Globo. No Rio de Janeiro, o lendário fotógrafo e editor Erno Schneider conseguiu recuperar as fotos, que estamparam a primeira página do diário carioca. Felizmente, Pedro não deixou o fotojornalismo. Martinelli lembra como era o cotidiano da revista Veja entre os anos 1970 e 1980. Narra algumas peripécias, como quando "roubou" uma foto do radialista Zé Béttio, o maior nome do rádio à época, mas até então uma figura desconhecida do grande público. Recorda perrengues para conseguir credenciais para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e de Seul, quatro anos depois. Descreve como foi sua saída da Veja e a migração para o estúdio e a fotografia de moda. Martinelli também é um caçador —característica que se confunde com o fotojornalismo. Durante a infância em Santo André, no ABC Paulista, saía com o pai em expedições pela Serra do Mar. Por isso, foi mais do que natural a decisão de documentar a amazônia ao largar o fotojornalismo das grandes redações. Investiu em um trabalho de longa duração, fotografando aspectos da vida de caboclos, ribeirinhos e indígenas, que rendeu vários livros e exposições. "Olho no Mundo" é mais do que uma biografia, um livro de fotografia ou jornalismo. Navegando pelas memórias pessoais e pelo acervo de Pedro Martinelli, a obra é um pedaço da história do Brasil.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.