São Paulo e Buenos Aires O liquidante do Banco Master pediu à Justiça dos EUA para recuperar uma cobertura em Miami que, segundo ele, foi paga com dinheiro desviado do banco e usada por Daniel Vorcaro. O controle das empresas que constam como donas do imóvel, comprado por R$ 140 milhões, foi repassado à ex-mulher do ex-banqueiro, Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, após divórcio do casal em meados de 2023, afirma a ação. O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi protocolado em 23 de outubro e tem como réus Fabíola e duas empresas americanas: a PH 47 LLC, constituída em Delaware e dona do imóvel, e a Arya Investments LLC, de Nevada, que controla a PH 47. As firmas são de Vorcaro, diz a EFB Regimes Especiais, liquidante do banco. Unidade de quase mil metros quadrados tem quatro quartos, sete banheiros e acabamentos de luxo - Penthouse47 O liquidante pede que o Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida anule as transferências financeiras que pagaram a compra e as operações que repassaram o bem para Fabíola. Além disso, a ação também pede que sejam impedidas as tentativas de vendas do imóvel e que o dinheiro usado na compra da cobertura (ou o imóvel) seja devolvido. Procurados por email desde a manhã desta terça-feira, o liquidante do Master e Vorcaro não se pronunciaram. Fabíola foi acionada também por email às 15h15 e não respondeu à reportagem. Conforme revelado pela imprensa em março, a propriedade é uma cobertura no luxuoso edifício Mansions at Acqualina, em Sunny Isles Beach, que reúne as unidades 4.701 e 4.702 e soma cerca de 860 m². O imóvel apareceu registrado em nome de uma empresa, mas arquivos do celular de Vorcaro vazados durante investigações da CPMI do INSS indicam que ele seria o verdadeiro dono. A cobertura foi adquirida em julho de 2021, após negociações iniciadas em 2020. Vorcaro assinou o contrato de compra por meio da Octa Investments, empresa das Bahamas da qual ele seria o beneficiário final. Em agosto de 2021, o contrato foi repassado à PH 47 LLC, que ainda detém o imóvel. O estado norte-americano de Delaware permite que estruturas societárias não divulguem publicamente o beneficiário final da empresa. Segundo o site especializado The Real Deal, a operação representou a terceira venda mais cara da história do condado de Miami até aquele momento. A compra das duas unidades está registrada no valor de US$ 27 milhões. De acordo com a ação do liquidante, o pagamento foi feito em três etapas, com um sinal, parcelas mensais de US$ 1 milhão e o valor de fechamento. Os recursos passavam por uma estrutura nas Ilhas Cayman e em Delaware e chegavam à Mosaic Financial, empresa das Bahamas que, segundo a ação, administrava o patrimônio de Vorcaro no exterior. Dali, iam para a Kodiak Trust Company, do Alasca, administradora do Fortress Legacy Trust, holding que foi criada em 2019 e é apontada como administradora dos bens dos Vorcaro nos EUA. A petição afirma que a Kodiak recebeu da Mosaic US$ 114,1 milhões entre julho de 2020 e junho de 2023. Também cita um email de um funcionário da Mosaic, de setembro de 2020, sobre o envio de US$ 1 milhão ao vendedor do apartamento "que Daniel comprou". De acordo com o documento, em janeiro de 2024, um representante de Vorcaro no exterior informou à Kodiak que o ex-banqueiro e Fabíola haviam se divorciado e que os termos do acordo entre os dois exigiam a transferência da participação societária de Vorcaro na Arya e na PH 47 para ela. O liquidante afirma que a transferência foi feita sem nenhum pagamento e que a Mosaic Financial e o Fortress Legacy Trust bancaram despesas no exterior, além de seguir pagando custos da cobertura após o divórcio do casal, até o congelamento dos ativos. "Não obstante essa transferência, o Fortress Trust continuou a arcar com as despesas relacionadas ao imóvel Acqualina, utilizando ativos do próprio fundo, até que tais ativos fossem bloqueados. Segundo informações obtidas, Fabola Vorcaro utiliza, ocasionalmente, o imóvel", diz a petição. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.Mais de dois anos após a transferência a Fabíola, os registros do condado ainda indicam como endereço de correspondência do imóvel o escritório da Kodiak Trust. A Justiça dos EUA foi acionada para bloquear a venda enquanto o caso é investigado. A EFB Regimes Especiais alega que a transferência foi uma simulação para ocultar bens de credores. Em agosto deste ano, reportagem da Folha mostrou que a EFB seguia avançando sobre o mapeamento dos bens do ex-banqueiro, seus familiares e sócios no exterior. Os advogados do liquidante protocolaram três intimações no Tribunal Federal de Falências do Sul da Flórida contra os escritórios Greenberg Traurig, Rennert Vogel Mandler & Rodriguez e VMM Law. O objetivo é obter contratos, escrituras e o rastro completo do dinheiro usado para a compra de três imóveis —um deles também localizado em Sunny Isles Beach, mas em outro edifício. Os advogados esperam receber o nome de titulares de contas, sócios de empresas, troca de emails e mensagens relacionadas à compra de bens. Além disso, pedem a indicação de quais bancos foram envolvidos nas operações e os códigos utilizados no sistema Swift —sigla do sistema internacional de identificação de bancos usado em transferências. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões
Liquidante do Banco Master pede nos EUA cobertura de R$ 140 mi que afirma ter ficado com ex de Vorcaro
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