A circulação dos trens nas linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade voltou a ocorrer integralmente em todas as estações dos ramais que vinham sendo afetados pela greve dos ferroviários. A categoria decidiu encerrar a paralisação na tarde desta quarta-feira (5) e o serviço foi gradualmente retomado. "A normalização imediata para o atendimento do horário de pico sofreu impactos em razão do horário de término da reunião da categoria", informou em nota a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na noite desta quarta. O sistema Paese (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência), que oferecia suporte com ônibus aos passageiros, foi cancelado. A reportagem da Folha percorreu parte das linhas entre a tarde e a noite. Na linha 11-coral, às 19h30, passageiros foram informados pelo sistema de som no interior do vagão lotado que o trem seguiria até a estação Estudantes, em Mogi das Cruzes, em vez de ter a circulação interrompida em Guaianases. O aviso sonoro indicava, portanto, que o serviço voltava ao percurso habitual. Na estação Engenheiro Goulart (zona leste), alguns trens da linha 12-safira passaram a fazer o trajeto completo até Calmon Viana, na cidade de Poá, pouco antes das 19h. Isso rapidamente esvaziou a plataforma, dando aspecto de normalidade ao serviço. Também por volta das 19h, a linha 13-jade havia voltado a operar entre Engenheiro Goulart e a cidade de Guarulhos. Nos dois casos, porém, a circulação ainda estava com intervalos mais longos. A retomada lenta era necessária para aguardar movimentações de composições que estavam paradas em trechos à frente, disse um funcionário da CPTM. Apesar das plataformas ligeiramente mais vazias no Brás, os trens chegavam à estação lotados por volta das 18h. Usuários que habitualmente embarcam no local e que chegam de metrô preferiram fazer a integração em paradas anteriores, que são Luz e Palmeiras-Barra Funda. "Todo dia é difícil de entrar e hoje, apesar da plataforma mais vazia, o vagão já está chegando ainda mais lotado, conta a analista de vendas Geovana Almeida, 20. Moradora de Guaianases (zona leste) ela retornava do trabalho em Santo Amaro (zona sul). O trajeto, normalmente percorrido em duas horas, estava levando três horas nestes dois dias de greve. Com os trens voltando a atender os municípios da região do Alto Tietê, às 20h, já não havia pessoas à espera dos ônibus do sistema Paese na estação Guaianases, no extremo leste da capital paulista. Cenário muito diferente da superlotação observada na noite anterior, quando passageiros chegaram a romper grades de um canteiro central para tentar antecipar o embarque. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil decidiu em assembleia extraordinária encerrar a greve que afetava parcialmente o transporte sobre trilhos na Grande São Paulo desde a terça-feira (4). A categoria protestava contra a concessão das linhas e as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a empresa assumir as linhas que eram da CPTM. Os ferroviários também decidiram que funcionários da Trivia não poderão mais entrar nas cabines dos trens para observar a operação dos funcionários da CPTM. Hoje, os empregados da empresa privada estão acompanhando a operação, como uma espécie de novo treinamento. É como se tivessem repetido de ano, porque já fizeram o treinamento, e agora estão refazendo a lição, disse um trabalhador. O diretor sindical Luiz Junior disse que irá encaminhar essa deliberação à direção da CPTM. Isso não significa que a CPTM irá deixar de operar os trens no período determinado pelo governador após as falhas das últimas semanas. A proposta de retorno ao trabalho, conforme o sindicato, recebeu 131 votos favoráveis; outros 26 trabalhadores votaram pela continuidade da paralisação. "A deliberação ocorre após o Governo do Estado apresentar uma proposta que contempla avanços nas reivindicações da categoria, especialmente em relação às garantias buscadas pelos ferroviários durante o processo de concessão", disse a categoria em nota na tarde desta quarta. A votação do sindicato tinha como principal tema uma proposta da Justiça do Trabalho para encerrar a greve. O desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto, vice-presidente do TRT-2, propôs que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) garantisse não apenas os empregos dos trabalhadores das vias paralisadas, como o governador já havia prometido, mas também dos funcionários da linha 10-Turquesa, que não foi concedida à iniciativa privada. Mais cedo, Freitas havia afirmado, em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, que pretende enviar um projeto de lei à Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) para a manutenção dos atuais trabalhadores.
Linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade, em SP, retomam circula��o integral com fim da greve dos ferrovi�rios
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