A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta sexta-feira (8) a liberdade de imprensa e disse que ela não está em questão no Brasil. A declaração ocorreu após a magistrada ser questionada pela editora-chefe da BBC News Brasil em São Paulo, Flávia Marreiro, sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que, no início desta semana, determinou uma operação de busca e apreesão contra uma fonte de um jornalista. "A liberdade de imprensa não está em questão no Brasil. Não existe democracia sem liberdade de imprensa. Isso é o que está na Constituição", declarou, esclarecendo, contudo, que não poderia falar sobre o caso em específico. "Eu sou proibida por lei de falar sobre o que está em júdice do Supremo [...] Mas quando chegar lá eu vou ter que votar." FolhaJus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha O caso deve ser levado a plenário no STF, como indicou o presidente da Corte, Edson Fachin. Na quinta-feira (8), Fachin citou a importância da liberdade de imprensa e defendeu o sigilo de fonte. A ministra participa de um evento gratuito promovido pela BBC World Service e pela BBC News Brasil sobre os desafios do combate à desinformação no país. Entenda o caso Na terça-feira (8), o minitro Alexandre de Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo, acusado de perseguir o ministro Flávio Dino. A medida faz parte de uma investigação sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro. A investigação começou após Luís Pablo publicar, em novembro de 2025, reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares. Em março, o jornalista foi alvo de uma primeira operação, quando a PF apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos. De acordo com a Polícia Federal, essas informações foram repassadas ao jornalista por Raimundo Cutrim, que usou o cargo público para consegui-las em sistemas de acesso restrito Com base nisso, a PF pediu a realização de novas buscas contra Cutrim. Nesta sexta-feira (8), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo sobre três decisões que envolvem investigações de casos de corrupção no Maranhão. O caso ganhou repercussão porque o magistrado teve o seu esquema de segurança violado por um dos investigados, que vazou dados e o deslocamento de Dino e sua família no estado.
'Liberdade de imprensa n�o est� em quest�o no Brasil', diz C�rmen L�cia
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