Segundo a Caixa Econômica Federal, o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) no Desenrola 2.0 demorou a ser liberado para que o saldo fosse impactado pela rentabilidade mensal de maio. "Estávamos preparados para o dia 13 [de maio] para iniciar a operação. Só que a gente entendeu que era melhor estender um pouco esse prazo para que a gente aproveitasse a oportunidade do crédito do juros de atualização monetária, que ocorre no dia 21 de todo mês. Entendemos que para os trabalhadores seria mais vantajoso", disse Rodrigo Hori, vice-presidente da Caixa, nesta sexta-feira (15). "Quando saiu a publicação do medida provisória, a gente se uniu com o governo, especialmente o Ministério do Trabalho e o Ministério da Fazenda, para a gente conseguir maximizar o programa, a política, e a gente atender o maior número de trabalhadores", disse o executivo. O novo Desenrola Brasil foi lançado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no dia 4 de maio, mas o uso do FGTS para quitar ou amortizar dívidas será liberado apenas em 25 de maio. Uma vez que o trabalhador acesse o recurso para quitar dívidas, o fundo tem até 30 dias para repassá-lo ao banco em que a renegociação foi feita. Quando anunciou o programa, o governo disse que poderiam ser usados para pagar dívidas até R$ 8,2 bilhões do fundo. Organizado pelo Ministério da Fazenda, o programa prevê um prazo de 90 dias para que trabalhadores renegociem dívidas bancárias. Mesmo sem o recurso disponível, a Caixa já renegociou R$ 820 milhões pelo Desenrola. Segundo a instituição, ela tem R$ 9 bilhões em créditos que se enquadram nas condições do programa, o que daria um ganho contábil de R$ 3 bilhões para a estatal. O percentual de crédito a pessoas físicas com mais de 90 dias de atraso alcançou 6,12% da carteira da Caixa no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 1,27 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O maior salto foi nos atrasos do agronegócio, que vive uma onda de recuperações judiciais. Apenas no primeiro trimestre de 2026, 35 clientes da Caixa neste segmento entraram em RJ. No período, a inadimplência alcançou 18,29% desta carteira, após um ganho de 14 pontos percentuais em um ano. A maior parte dos devedores se concentra em Mato Grosso. A diretoria do banco diz que contribuiu para o aumento do calote a alta taxa de juros no Brasil e o custo adicional dos insumos com os conflitos no Oriente Médio, e que o momento de estresse não passará tão cedo. "Temos conversado no âmbito de governo federal em busca de equacionamento", disse Carlos Vieira, presidente da Caixa, ao comentar o balanço da instituição. O resultado da Caixa foi afetado pela maior provisão contra calotes, ou seja, o valor emprestado que o banco espera não receber de volta aumentou. A estatal teve um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (14). O resultado é 34,4% menor que o visto no mesmo período do ano passado. A provisão para perdas associadas ao risco de crédito mais do que dobrou e totalizou R$ 6,5 bilhões, uma alta anual de 225%. O índice de inadimplência total do banco ficou em 3,71%, aumento de 1,22 ponto percentual. Segundo a Caixa, o aumento das provisões é fruto de uma mudança regulatória. Por regra do Banco Central, desde 2025 os bancos são obrigados a reservar a quantia correspondente à perda esperada no crédito. Anteriormente, eles precisavam guardar apenas o valor correspondente a perdas incorridas. RAIO-X | CAIXA Fundação: 1861 Lucro líquido no 1º tri: R$ 3,5 bilhões Clientes (pessoas físicas e jurídicas): 158 milhões Agências: 3,9 mil Funcionários: 84,3 mil Principais concorrentes: Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Itaú, Nubank
Libera��o do FGTS no Desenrola atrasou para incluir juros de maio, diz Caixa
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