A Lego está ampliando os investimentos em novos produtos, como blocos equipados com software, e em sustentabilidade, enquanto tenta sustentar um período de forte crescimento da receita e do lucro. A empresa dinamarquesa de controle familiar informou nesta terça-feira (25) que sua receita cresceu mais de 20%, para um recorde de 42 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 34 bilhões), no primeiro semestre do ano. O lucro líquido aumentou 33%, para 8,6 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 6,9 bilhões). Niels Christiansen, que assumiu o cargo de presidente-executivo em 2017, disse ao Financial Times que a Lego está ganhando participação de mercado em quase todos os países e registrando um crescimento "bastante disseminado" com novos produtos, incluindo conjuntos inspirados na Copa do Mundo, na Fórmula 1 e em Pokémon. A Lego teve um rápido crescimento na década seguinte ao episódio que quase levou a empresa à falência, em 2004. Mas a companhia cresceu intensamente e se tornou muito complexa, o que culminou em uma queda nas vendas em 2017. "Estamos aumentando muito nossos investimentos", disse Christiansen. "Essa é realmente a melhor proteção contra o que aconteceu antes. Se você não investir no ritmo adequado, pode perder fôlego em algum momento", acrescentou. A fabricante de blocos de plástico triplicou o número de engenheiros de software que emprega e lançou um novo sistema de "bloco inteligente" —usado inicialmente em conjuntos de Star Wars e Pokémon— para tornar as brincadeiras mais digitais e interativas. A Lego está introduzindo gradualmente o bloco inteligente —capaz de produzir sons e efeitos especiais interativos durante as brincadeiras— em mais produtos, e Christiansen afirmou que novas funcionalidades serão apresentadas ao longo do tempo. A Lego se tornou uma das empresas privadas mais bem-sucedidas da Europa ao ampliar enormemente sua linha de produtos e, nos últimos anos, tentar atrair mais meninas e adultos para seus conjuntos de construção. A fabricante de brinquedos aumentou em cerca de 10% seus investimentos em instalações de produção, para 4,6 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 3,7 bilhões), no primeiro semestre. A empresa também gastou 1,9 bilhão de coroas dinamarquesas (R$ 1,53 bilhão) na compra do Lego Discovery Centres da Merlin Entertainments, que opera os parques temáticos Legoland. O grupo está construindo uma nova fábrica nos Estados Unidos, que se somará a uma unidade inaugurada recentemente no Vietnã e às expansões realizadas na China, na Hungria e na Dinamarca. A Lego produz todos os seus blocos de plástico internamente e está investindo pesadamente em materiais reciclados para substituir substâncias virgens derivadas de combustíveis fósseis sem repassar os custos aos consumidores. Por isso, a empresa precisa monitorar de perto sua própria capacidade de produção. Christiansen observou que a Lego quase triplicou as vendas na última década, mas acrescentou: "Não sentimos que atingimos um teto. Há muitas outras oportunidades". Questionado se a Lego estaria usando o forte aumento dos lucros para "investir em excesso", ele respondeu: "O que é investir em excesso? Mas sim, eu diria que estamos investindo mais em sustentabilidade e, em certa medida, em tecnologia digital do que a maioria das empresas". Christiansen afirmou que não presume que os atuais ritmos de crescimento do grupo possam ser mantidos, mas espera que a Lego continue crescendo mais rapidamente do que o mercado de brinquedos como um todo. Questionado se o excesso de sucesso poderia se tornar um problema, como ocorreu em 2016 e 2017, respondeu: "É uma questão extremamente relevante, à qual dedicamos muito tempo. Somos prudentes e humildes ao não simplesmente presumir que esse tipo de crescimento continuará para sempre. Por isso, não estamos contratando indiscriminadamente. Estamos muito mais focados do que éramos. Também estamos investindo antecipadamente".
Lego aposta em blocos com tecnologia e novos produtos para manter crescimento
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