Lavagem de Madeleine, em Paris, � vetada por padre e precisa mudar de local de �ltima hora

Lavagem de Madeleine, em Paris, � vetada por padre e precisa mudar de local de �ltima hora

A tradicional Lavagem de Madeleine, evento de cultura afro-brasileira realizado há 25 anos em Paris, não poderá fazer neste ano a lavagem das escadarias da Igreja de La Madeleine. Segundo a organização, o pároco, monsenhor Patrick Chauvet, comunicou que o ritual não será permitido no local. "Ele não oficializou a resposta, claro. Só falou. Alegou que faz muito barulho e vetou. Foi bem arbitrário mesmo", disse Robertinho Chaves, idealizador da Lavagem. O monsenhor e a Arquidiocese de Paris foram procuradas pela coluna desde quarta (9), mas não responderam. A cerimônia, inspirada na Lavagem do Bonfim, em Salvador, é realizada diante da igreja há mais de duas décadas e dá nome à celebração. O evento é reconhecido desde 2022 pelo Ministério da Cultura francês e integra o calendário cultural de Paris. "Lamentamos muito não poder realizar neste ano a lavagem das escadarias da Igreja de La Madeleine como fazemos há mais de duas décadas. Essa cerimônia faz parte da nossa história e da relação que construímos com Paris", afirma Robertinho Chaves. A organização diz que segue aberta ao diálogo com a Igreja e decidiu manter o ritual, que neste ano será realizado em praça pública e terá a cantora Mariene de Castro como atração principal. A programação da 25ª edição acontece em 13 de setembro e reunirá mais de 700 artistas nas ruas da capital francesa. A partir das 10h, na Place de la République, Mariene de Castro e Robertinho Chaves comandarão um trio elétrico com participações de Jau, Gildaa e Lorena Pires. O cortejo terá samba, percussão, maracatu, capoeira e baianas vestidas de branco. Lorena, cantora lírica e artista residente da Academia da Ópera Nacional de Paris desde 2025, deverá interpretar "Ave Maria" durante a celebração. "A cultura afro-brasileira já atravessou séculos de resistência e continuará resistindo. Não vamos permitir que uma decisão como essa apague nossa fé, nossa ancestralidade ou nossa cultura", diz Robertinho. Criada em Paris em 2002, a Lavagem de Madeleine se tornou uma celebração ecumênica que reúne referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. Ao longo dos anos, recebeu nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Preta Gil e Olodum. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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