Laura e seus c�lios de boneca

Laura e seus c�lios de boneca

De vez em quando, me lembro de uma menina que estudou com meu filho numa escola pública de Washington —e de um gesto dela que carrego comigo até hoje. Vou chamá-la aqui de Laura. Aos 7 ou 8 anos, Laura tinha uma história de vida complicada. Os pais estavam presos e ela morava com a avó. Era bem mais alta do que os outros alunos e muito agitada. Quando todos faziam fila, ela saía correndo. Quando a professora pedia silêncio, era justamente a hora em que a menina começava a falar. Laura chamava mais atenção do que gostaria no meio da bagunça do segundo ano. Vivia levando bronca dos professores. Certa vez, participei de uma excursão da escola para o Museu de História Natural e fiquei responsável por cinco alunos. Laura era um deles. Logo no início do passeio, ela fez uma boa pergunta e eu elogiei. Ela me olhou espantada. Depois sorriu. Parecia não estar acostumada a ouvir elogios. Dias depois, fui buscar meu filho no playground da escola. Laura veio correndo falar comigo e danou a tagarelar. De repente, baixou a voz: alguém tinha dito que ela era feia. Tentei levantar seu ânimo: "Que absurdo, Laura! Isso não é verdade. Você já reparou como seus olhos são bonitos? Seus cílios parecem de boneca". A menina me deu as costas e saiu saltitando. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha Quando eu já estava no portão indo embora, Laura veio até mim e estendeu a mão fechada. Aos poucos, foi abrindo os dedinhos e disse: "Presente pra você". No meio da palma de sua mão, tinha um punhadinho de cílios. Depois daquele dia, nunca mais me esqueci de elogiar os meus.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.