Kiev tenta ligar guerra na Ucr�nia ao conflito no Ir�

Kiev tenta ligar guerra na Ucr�nia ao conflito no Ir�

Dos 36 grandes conflitos em curso no mundo hoje, segundo a métrica do britânico Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, 2 se destacam pela grande latitude de seu escopo geopolítico: a invasão russa da Ucrânia e a guerra no Irã. No sábado passado (25), Kiev ensaiou uma fusão dos embates ao atacar um navio civil iraniano no mar Cáspio. O governo ucraniano disse que a embarcação transportava equipamentos destinados às forças de Vladimir Putin, aliado da teocracia sob ataque desde o fim de fevereiro. Os ingredientes para essa aproximação já existiam. O Irã forneceu aos russos uma primeira leva e a tecnologia para construção dos drones Shahed-136, que infernizam os céus ucranianos desde o início da guerra, em 2022. Neste ano, os ataques retaliatórios de Teerã contra aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico levaram as nações árabes a procurar Kiev atrás de auxílio. Afinal, poucos países do mundo estão tão acostumados a lidar com drones e mísseis quanto a Ucrânia. Até aqui, contudo, a animosidade era mais retórica. O governo de Volodimir Zelenski fez um experimento: tentou atrair os EUA para um apoio renovado a seu esforço de guerra às vésperas da visita do presidente a Donald Trump, ocorrida na terça (28). A lógica da estratégia era mostrar ao republicano que há interligação entre os conflitos, ainda que o apoio russo a Teerã seja limitado, e o Irã não tenha papel de relevo hoje no conflito europeu. Em público, a Ucrânia e o Irã prometeram evitar uma escalada. Mas na quarta (29), um terminal de gás natural no Egito foi atacado por drones, que atingiram dois navios, inclusive um dos EUA. Dois dias atrás, o local apareceu em um programa da rede estatal iraniana em um mapa de alvos para retaliação devido ao ataque da Ucrânia no mar Cáspio. Tudo isso demonstra a volatilidade do cenário internacional, refletida nas projeções menores de crescimento econômico e na ameaça inflacionária representada pelo preço do petróleo. O conflito no Oriente Médio é um exemplo disso. Após ameaçar escalar a guerra, Trump suspendeu os ataques que vinha promovendo, com retaliações correspondentes do Irã, em nome de um novo esforço que ele chamou de "conversas amigáveis". A pausa durou poucos dias, e os ataques recomeçaram. Enquanto isso, Rússia e Ucrânia vivem a fase mais violenta da guerra, sem um horizonte claro de acordo patrocinado por Washington. Sob Trump, a incerteza passou a ser o fator central num mundo que já estava imerso em atritos. editoriais@grupofolha.com.br

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