São Paulo A Justiça do Trabalho de Brasília mandou penhorar 20% da bilheteria de um evento que Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, vai realizar no Distrito Federal com a proposta de ensinar empresários a construir o que ele chama de máquina de vendas. A juíza Ticiane Santos Silva tomou a decisão em um processo no qual uma vendedora cobra uma dívida trabalhista calculada em R$ 99,6 mil da rede varejista. Nunes vai recorrer da decisão. Ele afirma que jamais foi citado ou intimado pessoalmente da ação. Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro e criador do Grupo R1 - Grupo R1/Divulgação O empresário deixou a sociedade em 2018, antes da abertura do processo judicial, e hoje atua como coach, cobrando ingressos que vão de R$ 97 a R$ 497 (VIP) em eventos pelo país. A turnê Máquina de Vendas, segundo Nunes, já reuniu mais de 20 mil empresários. O evento de Brasília, que vai ocorrer no dia 14 de outubro no Quality Hotel, é destinado a empresários que faturam acima de R$ 2 milhões por ano e querem fazer o "negócio crescer de verdade". "Aqui não tem bla-bla-bla", diz o slogan da turnê. Em julho, a Ricardo Eletro, que foi fundada em 1989 e chegou a ter mais de 1.100 lojas no país, teve a falência decretada após uma longa crise que, segundo a própria empresa, começou entre 2014 e 2016, quando Nunes ainda estava na sociedade. De acordo com a empresa, houve à época uma queda de faturamento em um contexto de despesas elevadas que fizeram com que entrasse em um ciclo vicioso de iliquidez. Em 2020, Nunes chegou a ser preso por suspeita de sonegação fiscal, sendo liberado posteriormente. Ele disse que na sua gestão "não teve um pio de sonegação". A ordem de penhora, que atinge 20% da receita bruta que Nunes tem a receber do evento, foi publicada no dia 24 de setembro após a Justiça não localizar recursos nas suas contas bancárias. Em nota enviada à Folha, a assessoria de imprensa do empresário afirma que ele não tinha conhecimento do processo até ter sido contatada pela reportagem. Destacou que a dívida é oriunda de um passivo de uma das empresas do grupo, mas que ele não exercia a gestão da companhia desde 2015. A empresa foi adquirida pela Starboard em 2018. Leia a íntegra abaixo: Em atenção à solicitação de posicionamento referente ao processo nº 0000213-06.2022.5.10.0010, esclarecemos que o Sr. Ricardo jamais foi citado ou intimado pessoalmente na referida ação. O processo tramitou mediante citação por edital, de modo que o empresário e sua defesa constituída não tiveram conhecimento formal da demanda até o presente momento de emissão desta nota. Diante do conhecimento dos fatos, a qual registramos, tomado unicamente pelo seu contato, a equipe jurídica do Sr. Ricardo, adotou imediatamente as medidas cabíveis para arguir as devidas nulidades e garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A título de mera liberalidade e como forma de contribuir para os devidos esclarecimentos, informamos que a dívida em questão é oriunda do passivo de uma das empresas que compôs o grupo Máquina de Vendas, o qual foi adquirido pela Starboard em 2018. Trata-se de uma ação movida em 2022, ou seja, mais de cinco anos após a alienação ao fundo, sendo certo que o Sr. Ricardo Nunes não exercia a gestão da companhia desde 2015, quando renunciou em razão da entrada de executivos de mercado. Informamos ainda, que o evento em Brasília é promovido por empresa terceira que contratou a palestra do Sr. Ricardo Nunes, a qual o ecossistema do Sr. Ricardo não tem vinculação direta com a arrecadação e/ou a venda ou não de ingressos/acessos, atividade está integralmente a cargo dos organizadores e proprietários do referido evento."
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