A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória a Alessandra Moja Cunha, liderança comunitária da Favela do Moinho, comunidade do centro de São Paulo que foi desocupada pelo governo estadual no ano passado. Ela estava presa desde setembro de 2025. A decisão substitui a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas a proibição de se aproximar da região central da capital. O juiz Antonio Carlos Martins, da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, considerou na decisão publicada na terça (27) que Alessandra está presa há mais de um ano e é mãe de uma adolescente e de um filho com transtorno do espectro autista, que demanda cuidados específicos. Segundo o magistrado, "principalmente por questões humanitárias relacionadas à prole da acusada", as medidas permitem que ela responda ao processo e cuide dos filhos. Ele também levou em conta o cumprimento integral de uma pena anterior. Alessandra deverá comparecer à Justiça a cada dois meses e não poderá deixar a comarca onde mora sem autorização judicial. Também está proibida de manter contato com os corréus, exceto aqueles com quem tenha vínculo conjugal ou de parentesco. O juiz determinou a expedição de alvará de soltura, desde que ela não esteja presa por outro motivo. A defesa de Alessandra foi feita pelo IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa), pelo Projeto Ale Szafir do Toron Advogados e pelo escritório Tofic Advogados.Alessandra foi presa em 8 de setembro de 2025, na Operação Sharpe, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, e pelas polícias Civil e Militar. Segundo os investigadores, ela integraria uma organização criminosa ligada ao PCC que atua com tráfico de drogas e coação de moradores na Favela do Moinho. O Ministério Público a aponta como responsável por lavar dinheiro em empresas controladas pelo irmão, Leonardo Moja, o Léo do Moinho, preso em 2024 e apontado como líder do tráfico na comunidade. Alessandra também é suspeita de cobrar pagamentos de moradores para autorizar o cadastro e a assinatura em um programa de moradias subsidiadas. A remoção da Favela do Moinho começou em abril de 2025, sob a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), e teve confrontos entre policiais e moradores. Após disputas, os governos estadual e federal fecharam um acordo para oferecer imóveis totalmente subsidiados de até R$ 250 mil às cerca de 850 famílias. A União ficou responsável por R$ 180 mil por unidade, e o estado, pelos R$ 70 mil restantes. O terreno, que pertencia à União, foi cedido ao governo paulista para a implantação de um parque. Em outubro, o estado anunciou o edital da obra, estimada em R$ 41,3 milhões.com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Justi�a concede liberdade provis�ria a Alessandra Moja, lideran�a da Favela do Moinho
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