Os custos de financiamento de longo prazo dos Estados Unidos subiram nesta terça-feira (29) ao maior nível em quase 20 anos, com o recente movimento de venda no mercado de Treasuries se intensificando. O rendimento do Treasury americano de 30 anos subiu 0,06 ponto percentual durante a tarde em Nova York, para 5,61%, o maior nível desde junho de 2002. O rendimento do Treasury de dez anos avançou 0,04 ponto percentual, para 5,28%, levando os custos de financiamento de referência nos EUA a outro nível máximo desde 2007. Os rendimentos dos títulos sobem quando seus preços caem. Uma forte onda de vendas nos mercados de títulos ganhou força nas últimas semanas, à medida que a alta do petróleo alimenta a inflação e dados econômicos robustos dos EUA reforçam as apostas em novos aumentos dos juros pelo Fed (Federal Reserve). Os esforços do secretário do Tesouro, Scott Bessent, para conter a onda de vendas não tiveram efeito. O rendimento dos títulos de 30 anos subiu de 5,2% em meados de agosto, quando Bessent anunciou a ampliação de um programa de recompra de títulos de longo prazo. "O caminho de menor resistência parece ser uma expansão ainda maior do prêmio de prazo", disse Arun Sai, estrategista de múltiplos ativos da Pictet Asset Management, referindo-se ao rendimento adicional exigido pelos investidores para manter títulos de dívida de prazo mais longo. "Os investidores não têm pressa para aumentar a exposição a títulos de longo prazo", acrescentou. Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado da Man Group, afirmou que a alta dos rendimentos dos títulos de prazo mais longo reflete a "preocupação crescente com a sustentabilidade fiscal", além da inflação mais elevada provocada pela crise energética desencadeada pela guerra entre os EUA e o Irã.A dívida nacional dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões (R$ 208,9 trilhões) no mês passado, enquanto o endividamento do governo continua crescendo em ritmo histórico, alimentando as preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas do país. Hooper afirmou que "a atratividade dos Treasuries dos EUA para os investidores, especialmente os estrangeiros, diminuirá diante da trajetória fiscal dos EUA" e da "imprevisibilidade" da política externa de Washington. Laura Cooper, chefe de crédito macro da Nuveen, disse que "a ponta longa tem pouca proteção contra uma nova onda de turbulência", uma vez que "os riscos de inflação no curto prazo continuam inclinados para cima, enquanto os preços da energia permanecem elevados". Ela afirmou que, embora tenha "reduzido" sua posição de menor exposição aos Treasuries de longo prazo, "ainda não está comprando na baixa".O preço do Brent, referência global do petróleo, ficou acima de US$ 100 (R$ 522) por barril durante boa parte de setembro, recuando ligeiramente para cerca de US$ 104 (R$ 543) por barril nesta terça-feira (29). A disparada do petróleo neste ano levou os investidores a abandonar as apostas de que os bancos centrais globais reduziriam os juros. Em vez disso, os mercados passaram a precificar taxas mais altas. O Federal Reserve elevou os juros pela primeira vez desde 2023 neste mês, e os investidores nos mercados futuros agora precificam mais quatro altas de 0,25 ponto percentual ao longo dos próximos 12 meses. Apesar da venda de títulos provocada por esse movimento, ativos tradicionalmente considerados mais arriscados, como ações e crédito corporativo, permaneceram relativamente resilientes até agora.O S&P 500 recuou 0,3% nesta terça-feira e continua apenas 2% abaixo de sua máxima histórica registrada em agosto. O Nasdaq 100 avançou 0,2%. Cooper, da Nuveen, afirmou que o "cenário de forte crescimento, impulsionado em parte pelos investimentos em inteligência artificial, manteve os ativos de risco estáveis".
Juro dos Treasuries de 30 anos dos EUA atinge maior n�vel desde 2002
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