J�ri absolve ex-PMs de acusa��o por morte de adolescente na zona sul de S�o Paulo

J�ri absolve ex-PMs de acusa��o por morte de adolescente na zona sul de S�o Paulo

Os ex-policiais militares Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues foram absolvidos da acusação da morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, 15, ocorrida há seis anos na zona sul de São Paulo. O júri, que transcorria desde a terça-feira (11) no Fórum da Barra Funda, na zona oeste, terminou na noite desta quarta-feira (12). Os jurados entenderam por maioria que os acusados não eram os autores do crime relatado. Eles não têm de apresentar justificativas para embasar o voto, bastando comunicar a resposta ao juiz responsável. O estudante estava na porta da casa de um familiar, na rua Rolando Curti, Vila Clara, zona sul, na noite de 13 de junho de 2020, quando foi sequestrado. Familiares notaram o desaparecimento e passaram a procurar por Guilherme. Seu corpo foi localizado na manhã do dia 14 em um canteiro no cruzamento da travessa da Saúde com a avenida Alda, bairro Eldorado, na mesma região. A distância entre um ponto e outro é de cerca de 7 quilômetros. Ele levou dois tiros, um na boca e outro na parte posterior da cabeça. Havia, ainda, um ferimento de tiro na mão. Após a morte, familiares e amigos realizaram protestos na região. Ônibus foram queimados e avenidas fechadas. A Tropa de Choque precisou ser acionada para conter os atos. As investigações do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) identificaram Campos e Rodrigues como os suspeitos. Campos, que à época era sargento da Polícia Militar, chegou a ficar preso por um ano. Ele foi solto após ser absolvido por negativa de autoria em um primeiro júri em outubro de 2021. O Ministério Público recorreu, justificando uma decisão contrária às provas obtidas, e a Justiça determinou um novo julgamento, que aconteceu nesta semana após quatro adiamentos. Durante o processo, Campos foi expulso da PM. O primeiro júri havia sido desmembrado. Rodrigues foi preso somente em maio de 2021, após ficar cerca de um ano foragido. Ele, que segue detido, foi encontrado em uma chácara em Peruíbe, no litoral paulista. Rodrigues já não fazia mais parte da PM quando Guilherme morreu. Segundo as investigações que deram base à denúncia do Ministério Público contra Campos, na noite de 13 de junho alguns garotos do bairro onde Guedes residia invadiram um canteiro de obras na rua Álvaro Fagundes, espaço em que a segurança estava sob responsabilidade da Campos Forte Portarias, empresa da qual o ex-sargento seria um dos sócios. Assim que tomou conhecimento sobre a invasão, de acordo com a denúncia, o sargento teria, juntamente com Rodrigues, que atuava como vigilante, iniciado busca a pé nas ruas no entorno do galpão para encontrar os garotos que haviam invadido o local. Ao chegarem à rua Rolando Curti, abordaram Guedes, que havia deixado a casa onde morava com a avó há pouco tempo e nada tinha a ver com a invasão. Ainda segundo a denúncia do MP, "com emprego de ameaça por armas de fogo, subjugaram Guedes e o levaram até a travessa da Saúde, no referido veículo [em nome do filho de Campos], local onde o executaram com dois tiros". Para o promotor Neudival Mascarenhas Filho, "o crime foi cometido por motivo torpe, pois agiram os denunciados para se vingar dos invasores, sequestrando e matando o primeiro garoto que viram pela frente, para que servisse de exemplo". Em seu despacho, Filho ainda ressaltou que o crime foi cometido com emprego de meio cruel, uma vez que os indiciados agiram com extrema violência, torturando Guedes com um tiro na boca, atingindo-o no lábio, o que lhe causou sofrimento exacerbado, até o crime ser consumado com o disparo na cabeça. O promotor ainda sustentou que a dupla teria agido como "milícia privada", agindo sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, com intuito de impor, pelo medo e terror, o domínio daquela comunidade próxima ao canteiro de obras.

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