Jovem da Funda��o Casa se destaca em Olimp�ada de Matem�tica ap�s estudar educa��o financeira

Jovem da Funda��o Casa se destaca em Olimp�ada de Matem�tica ap�s estudar educa��o financeira

Antes de se classificar para a segunda fase da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), Gabriel, 16, não gostava de estudar. Atendido pela Fundação Casa Guarujá, no litoral paulista, desde 2025, o adolescente já tinha sido expulso de três escolas por problemas de comportamento e excesso de faltas e ficou afastado das salas de aula durante meses. Gabriel, que nem conhecia a Olimpíada, foi incentivado pelos educadores da instituição a se inscrever. Participou da prova, acertou 23 das 24 questões e ficou em primeiro lugar no ranking da Olimpíada na escola E.E. Presidente Tancredo Neves, em que está matriculado. A próxima fase será em setembro deste ano. O jovem se aproximou da matemática depois que participou de uma oficina de educação financeira na Fundação Casa entre abril e junho deste ano. A metodologia das aulas é a do IBS (Instituto Brasil Solidário), que utiliza jogos de tabuleiro, como o Piquenique e o Bons Negócios, para apresentar conceitos financeiros de maneira lúdica. "No início, eu achei que seria chato. Só depois percebi que me ajudou a tomar decisões na vida. Eu tomava muitas decisões erradas. Agora eu penso antes de agir", afirma ele. Na oficina, os adolescentes são divididos em equipes de seis participantes e recebem uma moeda fictícia para administrar durante o jogo. Ao longo do tabuleiro, cartas de gastos, perdas e ganhos fazem com que os participantes decidam como usar suas moedas. O adolescente diz que, além de levá-lo ao excelente resultado na prova, os jogos os ajudaram a imaginar um futuro. Concluir o ensino médio e conseguir um emprego de carteira assinada estão entre as suas prioridades. "Nunca consegui estudar direito. Só aqui dentro percebi que o estudo vai me ajudar muito na vida", afirma. Ele diz que está orgulhoso de seu desempenho na Olimpíada. "Mas também quero que as pessoas que me ajudaram fiquem orgulhosas", afirma. 'inspiração' Responsável por ministrar as oficinas, Sílvia Maria Pereira, 52, agente educacional da Fundação Casa, diz que as dinâmicas aproximam os jovens de situações que já fazem parte de suas realidades fora da instituição. "A nossa população é bem carente. Eles fazem muito trabalho alternativo e informal. Então, eles aprendem que, mesmo sendo um trabalho informal, têm que guardar o dinheiro e saber administrar", afirma. Com formação em letras e pedagogia, ela trabalha na instituição desde 2006. Quando recebeu a proposta de ministrar a oficina, chegou a questionar como ensinaria um conteúdo relacionado à matemática, já que sua trajetória é voltada para português e inglês. Após o contato com o tema, a profissional identificou nos conteúdos do curso semelhanças com a própria vida financeira. Um dos conceitos que mais chamaram sua atenção foi o fundo de emergência —uma reserva de dinheiro para eventuais imprevistos. Sílvia afirma que não costumava guardar dinheiro e que frequentemente terminava o mês no vermelho. Depois do contato com o tema e da experiência nas oficinas, ela adotou novos hábitos. "Agora eu me disciplinei. Eu tenho meu fundo de emergência e não mexo para nada", diz. O aprendizado também chegou à família. Ela incentivou a filha, de 18 anos, a criar a própria reserva financeira. Após o envolvimento nas atividades, Gabriel foi convidado a atuar como monitor no próximo ciclo da oficina, que será destinado a estudantes do 6º e 7º anos do ensino fundamental da Fundação. Na etapa anterior do programa, as atividades foram realizadas com alunos mais velhos, com foco em estudantes do ensino médio. "Ele é a minha inspiração. Você pega um menino que não gosta de matemática e ele acaba se destacando. Ele não melhorou só na escola, o comportamento dele mudou", afirma Silvia. Cada oficina dura três meses e a próxima deve começar em julho deste ano. Gabriel está curioso e animado para encarar a experiência: "Estou empolgado para ver se os pequenos vão gostar da matemática como eu também gostei." A Causa do Ano 'Educação Financeira Transforma’ conta com o apoio do IBS (Instituto Brasil Solidário).

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