Jos� Dirceu e Del�bio fracassam em se eleger � C�mara ap�s pris�es e esc�ndalos

Jos� Dirceu e Del�bio fracassam em se eleger � C�mara ap�s pris�es e esc�ndalos

Nomes históricos do Partido dos Trabalhadores (PT) que foram envolvidos nas últimas décadas em escândalos como o mensalão e a Operação Lava Jato tiveram sua tentativa de voltar à Câmara dos Deputados frustrada neste domingo (4). José Dirceu (PT-SP), Delúbio Soares (PT-GO) e André Vargas (PT-PR) não conseguiram contornar os escândalos que permearam suas carreiras políticas nas últimas duas décadas e perderam espaço para novos representantes do partido no Congresso Nacional. A exceção é João Paulo Cunha, que foi eleito por São Paulo. O resultado frustra as tentativas de redenção de lideranças que, após ocuparem posições centrais no governo e no círculo de confiança de Lula (PT), perderam espaço político e ficaram sob forte escrutínio público na esteira de escândalos de corrupção. Mais do que isso, a derrota consolida a tese de que, embora Lula tenha sido eleito em 2022, o antipetismo segue inalienável à forma com que os brasileiros decidem a composição do Congresso Nacional. Cunha deve voltar à Câmara por São Paulo apostando na proximidade que já teve com a principal liderança do partido. Ele já foi deputado federal por cinco mandatos, de 1995 a 2014, e chegou a comandar a Câmara de 2003 a 2005, quando Lula estreava no Planalto. Mas sua trajetória na política foi abalada em 2005 com o mensalão. No processo ligado ao escândalo, ele foi condenado em 2012 a uma pena de 6 anos e 4 meses pelos crimes de corrupção passiva e peculato. Acabou preso em 2014. No início de 2016, com o indulto de Natal de Dilma, Cunha ganhou alvará de soltura do STF. "Tem gente que achou que eu tinha parado. Eu segui trabalhando, ouvindo e me preparando para esse momento. Volto com mais experiência, mais disposição e com a mesma convicção de sempre: estar ao lado do povo e ajudar o presidente Lula a fazer o Brasil avançar cada vez mais", diz ele, em uma rede social, ao mostrar fotos antigas ao lado do presidente Lula. Para os demais, o histórico pesou. Em São Paulo, José Dirceu perdeu espaço para petistas mais jovens, como os deputados eleitos Luna Zarattini e Thiago dos Reis. Em Goiás, Delúbio não bateu a preferência pela Delegada Adriana Accorsi e por Rubens Otoni, reeleitos. Vargas perdeu para o filho de Dirceu, Zeca Dirceu, no Paraná. Uma das figuras mais emblemáticas do PT, Dirceu foi preso no âmbito das investigações do mensalão e da Lava Jato. Ele foi ministro-chefe da Casa Civil no primeiro governo Lula, três vezes deputado federal e presidente nacional do PT, em boa parte responsável pelas articulações que possibilitaram a primeira vitória do petismo no Executivo nacional. Em 2005, foi cassado pelos seus pares na Câmara na esteira do mensalão, processo que também o levou para a prisão no final de 2013. O STF (Supremo Tribunal Federal) o condenou a 7 anos e 11 meses pelo crime de corrupção ativa. Migrou para a prisão domiciliar no final de 2014. Mas, em 2015, voltou a ser alvo de mandado de prisão na Lava Jato. As condenações impostas pelo então juiz federal Sergio Moro, hoje governador eleito do Paraná, foram anuladas pelo STF em 2024. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Delúbio, ex-tesoureiro do PT, se apresentou como "o candidato que é amigo do Lula" na campanha. O presidente gravou um vídeo para o aliado, pedindo voto "a um companheiro que foi vítima da maior perseguição já feita na história desse país". A relação com o PT é de percalços. Ele chegou a ser expulso do partido em 2005, na esteira do mensalão. Depois, ele também se tornou alvo da Operação Lava Jato. Foi primeiro condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa. Cumpriu pena por mais de dois anos e, na esteira de um indulto de Natal assinado pela presidente Dilma Rousseff (PT), foi liberado em março de 2016. Dois anos depois, foi condenado a 6 anos de prisão pela Lava Jato. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida depois que todos os recursos fossem esgotados —decisão que também permitiu a soltura de Lula naquele ano. Em 2023, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou a sentença da Lava Jato por entender que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral, não na comum. Já Vargas, ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, teve seus dois processos anulados pelo STF em 2022 e 2023, também no âmbito da Lava Jato. Neles, tinha sido condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes que ele nega ter cometido. Vargas ficou na prisão de 2015 a 2018. "A Lava Jato nos submeteu a um processo de tortura visando arrancar mentiras sobre o Lula e o PT", afirmou ele à Folha em 2024.

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