A JBS rebateu informações publicadas pela coluna Mônica Bergamo de que teria comprado gado indiretamente de fazendas da lista suja do trabalho análogo à escravidão. Os dados, entre outros, foram divulgados após análise da ONG Mighty Earth a partir do aplicativo Do Pasto ao Prato, que visa dar transparência à cadeia de produção de carne no Brasil. O levantamento realizado pela Mighty Earth listou ao menos cinco frigoríficos da JBS entre as empresas fornecedoras ao Grupo Mateus, do Maranhão, mal avaliado em critérios de sustentabilidade. De acordo com o relatório, 40% da carne comercializada pelo grupo foi classificada como "ruim" ou "muito ruim". Um dos frigoríficos do qual o Grupo Mateus teria adquirido carne é a planta da JBS Araguaína (TO), classificada como ruim porque, de acordo com a ONG, teria comprado gado indiretamente de seis fornecedores que figuram na lista suja do trabalho análogo à escravidão, entre 2016 e 2023. Isso significa que propriedades que constam na lista suja forneceram o gado para uma segunda fazenda que o vendeu à JBS. Em texto enviado ao Painel do Leitor nesta quinta-feira (16), a JBS afirma que a Folha não respondeu quais seriam os fornecedores em questão, nem as datas das supostas compras. À reportagem da coluna Mônica Bergamo a Mighty Earth reafirmou nesta sexta (17) que existem registros de ligações indiretas da unidade JBS Araguaína com seis fazendas cujo donos foram autuados por trabalho forçado no período mencionado. A organização afirma que o sigilo sobre a identidade e os registros de transporte de gado dos fazendeiros associados às empresas frigoríficas analisadas é protocolo padrão. Leia abaixo texto integral enviado pela JBS e, na sequência, esclarecimentos da coluna Mônica Bergamo: "Na reportagem "Grupo Mateus tem 40% da carne vinda de frigoríficos ligados a desmatamento ou trabalho análogo à escravidão, diz ONG" (Mônica Bergamo,15/7), a Folha afirma que a JBS de Araguaína (TO) 'teria comprado gado indiretamente de seis fornecedores que figuram na lista suja do trabalho análogo à escravidão, entre 2016 e 2023'. A JBS perguntou, mas até agora a Folha não respondeu: Quais são esses seis fornecedores? Qual foi a data das supostas compras? Quando os produtores teriam entrado na lista suja (compras só são bloqueadas após a entrada na lista, por óbvio)? A única fazenda mencionada na fase de apuração da matéria como fornecedora da unidade da JBS de Araguaína não consta da base de fornecedores da Companhia. Segundo a própria Folha, esse produtor entrou na lista suja em 2024, portanto, depois das supostas compras que o jornal não demonstrou terem acontecido. No entanto, essa informação foi omitida na matéria. Sem esses dados básicos, a JBS não tem como verificar as informações, nem avaliar eventuais providências, muito menos responder às alegações. É um procedimento que não condiz com o padrão de jornalismo da Folha, tampouco contribui para uma cadeia produtiva mais sustentável." Marcela Rocha, diretora-executiva de Assuntos Corporativos (São Paulo, SP) "Os dados informados na reportagem são de investigação da organização global de defesa do meio ambiente Mighty Earth. A análise é feita a partir do projeto Do Pasto ao Prato, iniciativa de organizações internacionais e financiada pelo governo da Noruega que procura dar mais transparência para a cadeia de produção da carne no Brasil. Por meio do número SIF (Sistema de Inspeção Federal) presente no rótulo da carne, a ferramenta verifica se o produtor tem passivos ambientais, multas sanitárias e histórico de utilização de mão de obra análoga à escravidão. Diante dos questionamentos da JBS, a Mighty Earth reafirmou nesta sexta (17) que existem registros de ligações indiretas da unidade JBS Araguaína com seis fazendas cujo donos foram autuados por trabalho forçado no período mencionado. O protocolo padrão da organização é manter o sigilo sobre a identidade e os registros de transporte de gado dos fazendeiros associados às empresas frigoríficas analisadas em respeito à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) por se tratarem de cadastros de pessoas físicas. A ONG salienta, porém, que a partir do nome do frigorífico e do SIF, a JBS consegue rastrear a sua cadeia produtiva." Karina Matias, repórter da coluna Mônica Bergamo
JBS rebate informa��es de que teria comprado gado de propriedades da lista suja do trabalho escravo
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