Londres |Financial Times A Jaguar está entrando no mercado de veículos elétricos de luxo com um modelo de 130 mil libras (R$ 859,53 mil) que chama a atenção pelo design arrojado e pelo tamanho, enquanto a marca alertou que os veículos elétricos se tornarão "uma commodity" caso todos tenham aparência semelhante. O lançamento do modelo ocorre quase dois anos depois de a Jaguar divulgar um anúncio de 30 segundos sem nenhum carro, apresentando, em vez disso, modelos vestidos com roupas de cores vivas. A reformulação da marca foi duramente criticada nas redes sociais, com alguns entusiastas de automóveis e ativistas acusando a empresa de 91 anos de "aderir à cultura woke" e "jogar fora sua herança". Jaguar Type 01 é exibido em evento em Nova York - Mike Segar/Reuters Em entrevista, Rawdon Glover, diretor-geral da Jaguar, afirmou que uma das lições extraídas da reação negativa nas redes sociais foi que o novo modelo não poderia "se resumir à mudança". Embora o protótipo Jaguar Type 00 tivesse um rosa chamativo, o novo Jaguar Type 01 é oferecido em cores mais discretas, como prata e azul. Ainda assim, o modelo totalmente elétrico, com autonomia de até 450 milhas (724,2 quilômetros), representa um afastamento da filosofia de design histórica da marca. Com 5,2 metros, o carro de quatro portas é enorme, com rodas de 23 polegadas (58,4 centímetros), teto baixo e capô longo. O "leaper" — emblema do jaguar saltando— não fica mais na dianteira e agora é gravado a laser na lateral do veículo. Com preço inicial de 130 mil libras no Reino Unido e US$ 130 mil nos Estados Unidos, o elétrico custará o dobro dos modelos similares anteriores —uma tentativa deliberada de avançar ainda mais no segmento premium após queda nas vendas por mais de uma década."Precisamos recolocar a Jaguar como marca consolidada", comentou Glover, acrescentando que a empresa buscará se tornar "comercialmente relevante" vendendo menos carros a preços mais altos. A Jaguar Land Rover, controlada pela indiana Tata Motors, terá como alvo consumidores mais jovens e urbanos que queiram "se destacar". "Ninguém compra um GT de quatro portas, com 5,2 metros e esse visual, sem querer fazer uma entrada triunfal", avaliou Glover. Se todos os novos elétricos seguirem os padrões atuais, com capô curto e roda estreita, alertou Glover, "eles começarão a parecer homogêneos, e o produto se tornará uma commodity". Ferrari e Bentley também lançaram seus primeiros modelos elétricos neste ano, mas a Jaguar é a única marca a migrar integralmente para os elétricos em um momento em que os veículos a gasolina continuam gerando margens maiores e atraindo clientes fiéis que preferem o ronco do motor de combustão interna.O primeiro SUV elétrico da Range Rover também foi apresentado em setembro, com preço inicial de 154,07 mil libras (R$ 1,02 milhão). Embora a montadora planeje outros lançamentos de elétricos além do novo Jaguar, o grupo também reviu algumas de suas ambições anteriores e está adaptando sua plataforma de veículos elétricos para permitir a fabricação de modelos híbridos. A mudança estratégica ocorre enquanto o presidente-executivo, PB Balaji, busca aumentar as vendas nos EUA, onde as vendas de elétricos despencaram desde que o presidente Donald Trump encerrou, no ano passado, um crédito tributário de US$ 7.500 para a compra desses veículos. A Jaguar, que está cortando quase 10% de sua força de trabalho global, enfrenta intensa concorrência da Chery e de outras fabricantes chinesas, que avançam rapidamente nos mercados britânico e europeu. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesEm setembro, a Chery, em conjunto com suas marcas Jaecoo e Omoda, alcançou uma participação combinada de 9% no mercado de carros novos do Reino Unido. Seu modelo Jaecoo 7, apelidado por alguns de "Range Rover da Temu", foi o mais vendido do país, segundo a Society of Motor Manufacturers and Traders. Alguns analistas questionam se a transformação da Jaguar será bem-sucedida, embora a Ferrari tenha atingido neste ano sua meta de vendas para o novo elétrico, apesar da reação negativa inicial ao modelo projetado por Sir Jony Ive. "Nos Estados Unidos, houve uma reação negativa muito forte dos setores mais à direita da população —creio que menos por causa do design em si e mais por causa da... percepção de ‘wokeness’, que parece ter afastado muita gente", afirmou Ed Kim, analista-chefe da AutoPacific, grupo de pesquisa do mercado automotivo. "Isso apesar de o conceito central da Jaguar representar, na verdade, um afastamento menor de seu formato tradicional do que o Luce representou para a Ferrari", avaliou Kim.
Jaguar entra no mercado el�trico com carro de R$ 860 mil; veja v�deo
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