Jacques Pilon transitou entre o art d�co e o modernismo

Jacques Pilon transitou entre o art d�co e o modernismo

A partir dos anos 1930, a arquitetura modernista começou a ser aceita no mercado imobiliário paulistano ocupando espaço sobre projetos ecléticos e de estilo art déco. Alguns arquitetos perceberam que o negócio estava mudando, era hora de tirar adornos das fachadas e investir na nova estética. Um dos mais brilhantes modernistas de mercado foi o francês Jacques Pilon (1905-1962), cujo escritório esteve à frente de dezenas de obras fundamentais e marcantes na paisagem de São Paulo, principalmente prédios residenciais, comerciais e públicos na região central. São de autoria do escritório, por exemplo, a Biblioteca Mário de Andrade, na esquina das ruas Xavier de Toledo e Consolação, e o edifício do hotel Jaraguá, na rua Major Quedinho, no qual Pilon divide o projeto com Franz Heep. A preocupação de conseguir oferecer soluções modernas para seus clientes fez com que Pilon nomeasse Heep diretor de arquitetura da sua empresa em 1947. O projeto do Jaraguá estava direcionado para o art déco e coube a ele a atualização. O uso do brise-soleil (quebra-sol), que trouxe modernidade ao edifício, saiu da prancheta de Heep. No térreo foi instalado um mural de Di Cavalcanti. Outra obra que mostra Pilon como expoente desse período de mudança do art déco para o moderno é o edifício Acácia, sede da Academia Paulista de Letras, no largo do Arouche, de 1954. Tem 16 andares e foi um típico projeto de transição entre duas estéticas. O escritório de Pilon executou cerca de 60 projetos no centro de São Paulo, um recorde difícil de ser batido. No largo do Paissandu está o edifício Paissandu, construído na década de 1930, um legítimo art déco. Do outro lado do Viaduto do Chá está o Barão de Iguape, um gigante com 30 andares e 133 metros de altura. Foi projetado em parceria com o arquiteto Gian Carlo Gasperini, que assumiu o cargo de diretor de arquitetura, substituindo Heep. Em 1944, foi a vez do edifício São Luiz, na praça da República, onde foi promovido o luxo, começando pelo estilo neoclássico francês. Todos os 22 apartamentos têm banheiros com mármore italiano e lareira. O próprio Pilon foi morador do imóvel. Ele também fazia casarões suntuosos, como o da rua Angatuba, construído no Pacaembu, que abriga hoje o Nacional Club. Pilon nasceu em Le Havre, na França, mas passou a infância e a adolescência no Brasil. Só voltou para o país de origem em 1927 para concluir seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes em Paris. Cinco anos depois desembarcava no Rio de Janeiro, onde trabalhou um curto período. Veio para São Paulo e conheceu Francisco Matarazzo Neto, de quem se tornou sócio. Os dois criaram uma empresa chamada Pilmat e desenvolveram vários projetos, como os edifícios Paissandu e Santo André, esse último na esquina da avenida Angélica com a rua Piauí. Feito sob encomenda da família Matarazzo, ele foi o segundo edifício erguido no bairro Higienópolis. O primeiro foi o Condomínio Edifício Alagoas, na rua Alagoas. A Pilmat acabou em 1939 e Pilon montou seu próprio escritório no ano seguinte. Em seu trabalho de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da Universidade Mackenzie "A trajetória do arquiteto francês Jacques Pilon no centro de São Paulo - Análise das obras de 1940 a 1947", o arquiteto Tiago Seneme Franco diz que Pilon era "ligado intimamente ao mercado imobiliário, com uma arquitetura que se enquadrava sem maiores restrições aos mais diferentes condicionantes". Do seu escritório saíam obras tradicionalistas e modernistas. Apesar de ter concentrado seu trabalho em São Paulo, Pilon tem pelo menos cinco projetos no Rio de Janeiro, todos da década de 1950, incluindo o tradicional edifício Chopin, em Copacabana, próximo ao Copacabana Palace. Seu escritório funcionou até sua morte. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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