O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) surpreendeu analistas ao ficar abaixo das projeções do mercado financeiro em outubro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A inflação medida pelo índice desacelerou a 0,32%, após marcar 0,7% em setembro. A queda dos preços da passagem aérea e da energia elétrica aliviou a taxa, enquanto a alta de parte dos alimentos e da gasolina pressionou o resultado. Analistas do mercado financeiro esperavam IPCA-15 de 0,45% em outubro, conforme a mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg. A variação de 0,32% ficou abaixo até do piso das estimativas (0,33%). Considerando apenas os meses de outubro, o resultado veio acima do registrado em 2025 (0,18%), mas foi menor do que o verificado em 2024 (0,54%). No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 ganhou força e superou o teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). Nesse recorte, o índice registrou alta de 4,62% até outubro, após marcar 4,47% até setembro. O índice de referência para a meta e a política de juros do BC é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também calculado pelo IBGE. O IPCA-15, por ser divulgado antes, dá uma sinalização do comportamento da inflação oficial em cada mês. Uma das diferenças em relação ao IPCA é o período da coleta dos preços. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do índice de outubro, a coleta ocorreu no período de 16 de setembro a 14 de outubro. A coleta do IPCA, por sua vez, está concentrada no mês de referência. Por isso, o resultado de outubro ainda não está fechado. Será publicado em 12 de novembro. INFLAÇÃO E ELEIÇÕES A divulgação do IPCA-15 ocorre às vésperas do segundo turno das eleições, que ocorre no domingo (25). Como mostrou a Folha, o governo Lula (PT) chegou ao primeiro turno com a menor alta acumulada pelo IPCA em um mandato presidencial desde o início do Plano Real. Apesar disso, o petista largou em desvantagem na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL). Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Para analistas, um dos fatores que atrapalham Lula é o mal-estar de parte da população com o nível dos preços de itens básicos, como os alimentos. Os produtos subiram menos no terceiro governo do petista, na comparação com o mandato de Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio. A inflação, contudo, incidiu sobre um patamar de custo que já pesava no orçamento familiar desde a pandemia. PROJEÇÕES E JUROS Na mediana, o mercado financeiro espera IPCA de 5,22% nos 12 meses de 2026, conforme o boletim Focus, do BC. A estimativa está acima do teto de 4,5% da meta de inflação. A meta é considerada descumprida quando o acumulado do IPCA permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%. Para controlar a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária), ligado ao BC, tem como arma a taxa básica de juros (Selic), que segue em nível elevado. A Selic está em 13,75% ao ano desde setembro. O Copom terá mais duas reuniões neste ano –em 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. Segundo o boletim Focus, o mercado financeiro vê espaço para redução da Selic a 13,25% até o fim de 2026.
IPCA-15 desacelera a 0,32% em outubro e fica abaixo das proje��es; alimentos pressionam
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