Investidores estrangeiros aportaram R$ 10,6 bilhões na Bolsa brasileira na segunda-feira (5), após a confirmação da liderança de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Lula (PT) no primeiro turno das eleições presidenciais. O levantamento é da plataforma Dados de Mercado, que monitora o saldo diário do fluxo de capital de estrangeiros, investidores institucionais e pessoas físicas na B3. Os números coincidem com o saldo de outubro informado pela própria B3. Segundo a empresa que administra a Bolsa, o saldo dos investidores internacionais está positivo em R$ 12,6 bilhões neste mês. Com o resultado, outubro é o terceiro melhor mês em fluxo de estrangeiros no ano até o momento, atrás de janeiro e fevereiro, com R$ 26,5 bilhões e R$ 15,4 bilhões, respectivamente. No acumulado de 2026, o volume líquido de recursos estrangeiros que entrou na Bolsa é de R$ 44,6 bilhões. No começo do ano, o fluxo foi impactado positivamente pela perspectiva de redução da taxa básica de juros brasileira para 12% e por uma tese de diversificação das carteiras globais. Desta vez, a reação positiva reflete a expectativa de alternância de poder na Presidência da República e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores domésticos e estrangeiros. O senador Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, atual presidente. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Nunca houve uma virada do segundo colocado na disputa pela Presidência da República no segundo turno. "A gente tem visto um movimento bastante forte no Ibovespa e ainda mais forte nas empresas menores, de menor capitalização de mercado. Isso está refletindo basicamente a curva de juros mais baixa para o futuro. Isso faz com que as perspectivas de lucro dessas empresas cresçam, tanto pela redução da despesa financeira como pela melhora na atividade", afirma João Daronco, analista da Suno Research. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. O fluxo de investidores estrangeiros também reflete o maior ânimo de bancos internacionais. O JPMorgan estima que a expectativa de vitória de Flávio pode levar as ações brasileiras a uma alta de 10% a 11% no curto prazo e o dólar à faixa entre R$ 4,95 e R$ 5, além de provocar o fechamento da curva de juros. O Morgan Stanley, por sua vez, afirma que o resultado aproxima o mercado de seu cenário otimista. O banco projeta dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil pontos, caso seja apresentado um plano fiscal crível e o cenário global permaneça estável. O UBS também vê espaço para valorização dos ativos se o segundo turno confirmar o resultado do primeiro e o mercado passar a precificar uma estabilização da dívida em relação ao PIB. O banco projeta dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e potencial de alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses. O movimento contrasta com o de agosto, mês em que o saldo de investidores estrangeiros ficou negativo em R$ 18,1 bilhões. A volatilidade associada às eleições no Brasil e o desempenho histórico inferior do mercado acionário fizeram com que o JPMorgan reduzisse a recomendação para as ações brasileiras de "overweight" (acima da média) para "neutra", movimento apontado por analistas como um dos fatores que contribuíram para a saída de recursos do mercado local.
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