Nova York |Financial Times Investidores estão em busca de estratégias que protejam suas carteiras contra uma exposição excessiva à IA (inteligência artificial), à medida que os mercados financeiros e a economia dos Estados Unidos como um todo se tornam cada vez mais dependentes desse setor. Os mercados acionário e de crédito dos EUA estão cada vez mais concentrados em empresas ligadas à IA. Mais de dois terços das companhias que integram o índice Russell 1000, composto por grandes grupos americanos, estão vinculados à IA, seja diretamente, seja porque a tecnologia vem sendo incorporada a seus modelos de negócios, segundo pesquisa do Citigroup. Ao mesmo tempo, as grandes empresas de tecnologia e as companhias beneficiadas pelo boom de gastos com IA representam cerca de 16% do mercado americano de títulos de grau de investimento, após uma enorme onda de captação de empréstimos nos últimos anos, segundo dados do JPMorgan. Isso faz delas o maior grupo desse mercado. Operador da Bolsa observa variação de ações e títulos públicos na Bolsa de Nova York - Michael M. Santiago/Getty Images via AFP O domínio da IA nos mercados acionário e de crédito representa um desafio crescente para os gestores de fundos, que buscam ativos e estratégias menos expostos a mudanças repentinas no sentimento em relação à tecnologia. "Os clientes estão reavaliando a forma como precisam diversificar", disse Vincent Mortier, diretor de investimentos da Amundi. O tema da IA é "muito poderoso", observou, mas um fator inesperado, como uma "grande revisão dos lucros", poderia fazê-lo mudar de rumo. "Não é algo iminente", afirmou, "mas acho que vai acontecer". Ryan Marshall, chefe global de estratégias e soluções multiativos da BlackRock, afirmou que "há uma demanda absoluta pela tentativa de montar carteiras às quais incorporamos fontes de retorno independentes e não correlacionadas". Um dos desafios "para carteiras multiativos nas quais se busca amplitude e diversificação", acrescentou, "é a concentração em exposições relacionadas à IA". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "[Depois], há esse segundo círculo concêntrico de fornecedores, que podem estar ligados à energia, à infraestrutura ou à cadeia de suprimentos", disse, enquanto "também temos, neste momento, essa correlação geral entre o crescimento econômico e a IA". Marshall observou que "esse fenômeno está levando as pessoas a classes de ativos privados, hedge funds e outras áreas do mercado com correlações mais baixas". No setor de hedge funds, destacou "gestores capazes de demonstrar que os fluxos de retorno que geram são independentes ou não correlacionados" aos riscos mais amplos dos mercados de dívida e ações, incluindo aqueles que adotam estratégias macro globais e long-short em ações. Mortier concordou que os hedge funds estão se tornando "muito" mais atraentes para os clientes, mas ponderou que "a questão é que o universo dos hedge funds é extremamente diversificado... [O desafio] é encontrar as estratégias e os gestores certos que ainda estejam aceitando recursos". O diretor de investimentos da Amundi acrescentou que os clientes também estão "considerando cada vez mais os mercados emergentes em sentido amplo" —incluindo ações e títulos denominados em moedas locais, em regiões e países como América Latina, Índia e China, entre outros. Outra alternativa popular, disse, era "voltar a alguns ativos reais fundamentais", nos quais "há algo tangível". A mineração, observou, "é uma área interessante", enquanto "as energias renováveis também [representam] uma forma de diversificação". Daniel Gamba, copresidente e diretor comercial da Franklin Templeton, afirmou que equipes de investimento específicas estavam avaliando a IA como um impulsionador de retornos, de forma semelhante a outros fatores, como valor, momentum e crescimento, em uma tentativa de montar carteiras "com a menor exposição possível à volatilidade da IA". "Há mais demanda por [hedge funds] sistemáticos", acrescentou. "Também vemos isso internamente; nosso negócio sistemático está crescendo. E há mais demanda por diversificação de fatores relacionada à IA." C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões"Continuamos otimistas [em relação às] ações americanas", observou Gamba, embora "certamente menos otimistas do que no início do ano" e "sem nos concentrarmos apenas nas poucas empresas que estão investindo quase US$ 1 trilhão em infraestrutura de IA". "[Estamos] claramente tentando buscar uma exposição diversificada." A Franklin também mantinha uma visão positiva sobre o Japão e diversos mercados emergentes, afirmou. Na renda fixa, a gestora está analisando títulos com vencimentos mais curtos e "não está realmente assumindo nenhum grande risco de juros na ponta longa, exceto quando as pessoas buscam renda". "Eu diria apenas: tenham cuidado com o risco de diversificação de fatores e evitem uma exposição excessiva à IA em suas empresas", disse Gamba. "Sejam um pouco mais defensivos", acrescentou, embora tenha observado que "não acreditamos que haja algo iminente capaz de desencadear uma grande onda de vendas". Ainda assim, ao citar uma declaração que se tornou célebre do ex-chefe do Citigroup Chuck Prince ao Financial Times, em julho de 2007 —pouco antes do início da crise financeira global—, Mortier alertou que "hoje estamos, de certa forma, nesse ambiente: a música continua tocando e as pessoas continuam dançando". "Em algum momento, a música vai parar. Mas é muito difícil prever quando; por isso, a diversificação é mais necessária do que nunca."
Investidores buscam proteger carteiras dos riscos crescentes de concentra��o em IA
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