Na semana passada, estive na Expert XP, evento da corretora que, assim como seu concorrente BTG Pactual, reúne anualmente, em um espaço enorme, centenas de empresas do mercado financeiro e milhares de profissionais e investidores. Em meio a uma área de exposição tomada por estandes de gestoras de fundos (ou assets), reparei como grande parte dos presentes desconhecia os profissionais que decidem o destino de grande parte de suas economias. Veja bem: não falo dos assessores de investimento nem dos gerentes de banco. Esses costumam estar bem à vontade nesses eventos, ciceroneando seus clientes. E provavelmente estão bastante ativos no WhatsApp dos mesmos. Falo daqueles que decidem para onde vai o dinheiro depois de aplicado: os gestores. Assessores ou gerentes podem te informar sobre um fundo de renda fixa. Mas o gestor decidirá se o dinheiro ficará em títulos do Tesouro, papéis bancários, debêntures ou outros instrumentos. Em um fundo de ações, é ele ou ela que escolherá comprar Petrobras, vender Vale ou ficar longe das duas. Sempre de acordo com a descrição do produto. Vamos pelos números. Os brasileiros terminaram 2025 com R$ 8,5 trilhões aplicados em produtos financeiros, segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Desse total, R$ 3,59 trilhões estavam em fundos de investimento ou de previdência privada. Falamos diariamente sobre as empresas com ação em Bolsa, ou sobre as variações do Ibovespa, mas no fim do ano passado, porém, as ações mantidas diretamente pelas pessoas físicas somavam R$ 807,3 bilhões, menos de um quarto do valor aplicado em fundos e previdência. E hoje, tanto os gestores de fundos quanto os investidores são extremamente dependentes das corretoras e bancos para se encontrarem. Isso explica, aliás, por que gestoras pagam centenas de milhares de reais, às vezes milhões, para expor e distribuir brindes nos eventos como a Expert XP ou o BTG Summit. Para fazer uma analogia, o assessor é o atendente do supermercado, que vai te mostrar onde estão os produtos e te ajudar a pegar um ou outro que seja mais interessante para você. Mas a marca do vinho ou do extrato de tomate deve ser a razão maior para você tomar sua decisão, não o lugar deles na prateleira. Não faz sentido que um consumidor passe meses analisando a diferença entre modelos de carros antes de comprar, mas aplique suas finanças em fundos sem entender quem são as empresas e profissionais que o conduzem. O mercado evoluiu nos últimos anos e ensinou o investidor a comparar rentabilidade, taxa de administração e desempenho contra o CDI, por exemplo. Falta ensiná-lo a comparar processos de investimento. Ter confiança no assessor e no gerente é importante. Mas ninguém deveria conhecer apenas o atendente do supermercado e ignorar o fabricante do produto que está levando para casa. Conhecer uma gestora não significa decorar o currículo de seus executivos, mas entender como pensam, o que levam em conta para tomar decisões, quais riscos aceitam correr e como reagem quando algo dá errado. As cartas mensais, escritas por muitos deles, costumam circular entre profissionais do mercado. Acessá-las é um bom primeiro passo. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Investidor conhece o supermercado, mas ignora fabricantes
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