A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar parte da rotina de milhões de pessoas. Em poucos anos, ela passou a responder perguntas, resumir documentos, criar imagens, apoiar diagnósticos e transformar a maneira como vivemos. Talvez nenhuma outra tecnologia recente tenha avançado tão rapidamente, nos permitindo não somente entregar experiências disruptivas, mas também fazê-las em uma velocidade impressionante. Essa velocidade, porém, traz uma responsabilidade proporcional. Quanto mais presente a inteligência artificial se torna em atividades que afetam a vida das pessoas, maior é a necessidade de garantir que seu desenvolvimento esteja baseado em princípios como transparência, segurança e confiança. No setor financeiro, essa discussão ganha um significado ainda maior. Um banco não administra apenas recursos financeiros. Participa da realização de projetos de vida, da compra da casa própria, da abertura de um negócio, do planejamento de uma aposentadoria. Cada decisão precisa combinar eficiência tecnológica com experiência e responsabilidade humana. Durante muitos anos, o debate sobre inteligência artificial esteve concentrado na automação de tarefas. Hoje, acredito que a questão mais relevante seja outra: como utilizar essa tecnologia para potencializar a capacidade das pessoas e repensar processos, e não simplesmente automatizar ou substituir atividades. Essa mudança de perspectiva vem orientando nossa jornada no Bradesco. Desde 2016, a inteligência artificial faz parte de nossa estratégia com a BIA (Bradesco Inteligência Artificial) e nos últimos anos passou a impactar ainda mais a forma como desenvolvemos soluções, analisamos informações e prestamos atendimento, sempre com o objetivo de tornar a experiência dos clientes mais simples, personalizada e segura. Ao mesmo tempo, ela vem reduzindo o tempo dedicado por nossas equipes a atividades repetitivas, permitindo que profissionais concentrem seus esforços em inovação, análise e relacionamento. O impacto dessa transformação está na qualidade das decisões. Quando conseguimos compreender melhor o contexto de cada cliente, antecipar necessidades e oferecer soluções mais aderentes ao seu momento de vida, a tecnologia se torna um instrumento de proximidade e inclusão. Ao mesmo tempo, quanto mais sofisticados se tornam os modelos de inteligência artificial, mais importante passa a ser o papel das pessoas. Nenhum algoritmo substitui a capacidade de interpretar e tomar decisões em situações complexas, exercer empatia ou assumir responsabilidades em decisões que afetam outras pessoas. O futuro não será construído por humanos ou máquinas, mas pela colaboração entre ambos. Isso exige investimentos contínuos em capacitação, novas competências e uma cultura capaz de preparar profissionais para trabalhar ao lado da inteligência artificial. As habilidades mais valorizadas tendem a ser justamente aquelas que nenhuma tecnologia consegue reproduzir plenamente: pensamento crítico, criatividade, discernimento e capacidade de construir relações de confiança. O Brasil reúne condições para ocupar uma posição relevante nessa transformação. Temos um sistema financeiro reconhecido internacionalmente pela capacidade de inovar e uma população que adota rapidamente novas tecnologias. Temos a oportunidade de utilizar a inteligência artificial para ampliar o acesso a serviços de qualidade e gerar desenvolvimento econômico. O verdadeiro sucesso da inteligência artificial não será medido pela quantidade de tarefas automatizadas. Será medido pela capacidade de fortalecer a confiança entre indivíduos e instituições. É dessa relação de inovação que conecta pessoas, de forma sustentável, que nascerão as transformações com impacto exponencial para a sociedade. E é este o caminho que estamos seguindo. *Rafael Cavalcanti é Chief Data & Analytics Officer do Bradesco.
Intelig�ncia artificial exige um novo pacto entre tecnologia e confian�a
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