Infraestrutura deteriorada preocupa petrol�feras interessadas na Venezuela

Infraestrutura deteriorada preocupa petrol�feras interessadas na Venezuela

Caracas |AFP Representantes de petrolíferas multinacionais se mostraram dispostos nessa terça-feira (29) a operar na Venezuela em um novo ambiente de negócios sob a tutela dos EUA, apesar dos desafios operacionais enfrentados pela indústria do país sul-americano. A líder interina, Delcy Rodríguez, que governa sob forte pressão de Washington, promoveu a abertura do setor ao capital privado, despertando o interesse de empresas estrangeiras. Após a captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro, os norte-americanos passaram a administrar e supervisionar acordos entre empresas dos EUA e o regime da Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Participantes de evento sobre petróleo na Venezuela - Leonardo Fernandez Viloria/REUTERS "Toda a Venezuela representa uma enorme oportunidade para nós e para nossos planos de crescimento, e é por isso que estamos aqui", afirmou Erik Keskula, diretor-executivo de Exploração e Produção da UCC Oil and Gas Holding, do Qatar, durante a Cúpula Internacional de Petróleo e Gás da Venezuela (VIOGS 2026). Executivos de petrolíferas como Repsol, Siemens AG, Hunt Oil, Maurel & Prom, UCC Holding e GeoPark, além de empresas de serviços de diversos países, participaram do fórum, iniciado na segunda-feira (28) com reuniões privadas e previsto para terminar nesta quarta-feira (30), em Caracas. A grande ausente foi a Nabep (North American Brue Energy Partners), que foi escolhida pelos Estados Unidos para coordenar um plano para operar 17 campos na Venezuela, com reservas de 65 bilhões de barris de petróleo, com direito a uma concessão de 100 anos dos locais.Com esse acordo "histórico", como o classificou o presidente Donald Trump, os Estados Unidos controlarão 20% das gigantescas reservas petrolíferas venezuelanas e poderão obter 20% do petróleo a preço de custo. "Trabalhamos com o governo interino para reabrir as portas a empresas norte-americanas e internacionais de renome para comercializar o petróleo venezuelano", declarou Michael García, chefe adjunto da missão da Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela. "TRABALHO A FAZER" A infraestrutura petrolífera enfrenta profunda deterioração após anos de falta de investimentos, problemas de gestão na estatal PDVSA, ausência de manutenção e o impacto das sanções internacionais. A produção atual é de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, muito abaixo dos 3 milhões registrados há duas décadas."Ainda há muito trabalho a fazer em termos de transparência e governança, além da necessidade de garantir que cada dólar de receita cumpra sua finalidade. Mas a direção é inequívoca. Onde antes havia estagnação, agora há investimento", analisou García. A crise no fornecimento de energia elétrica foi um tema recorrente nas apresentações. Houve, inclusive, duas quedas de energia durante o evento. "Precisamos compreender quais são as fragilidades institucionais e, depois, as deficiências de infraestrutura, mas podemos enfrentar esses problemas com bastante rapidez", afirmou Hunter Hunt, CEO da Hunt Energy Holdings. "Quando os governos anfitriões adotam a mesma abordagem, isso ajuda a começar a corrigir essas deficiências muito rapidamente (...) e estamos vendo isso acontecer aqui em questão de dias", acrescentou Hunt. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões"META AMBICIOSA" As empresas que já operam na Venezuela avançam em seus planos para aumentar a produção no médio e no longo prazo. Ludwing Mercado, gerente de Operações da Repsol na Venezuela, prevê um aumento de 50% na produção de petróleo em seus campos no oeste do país. Atualmente, são extraídos cerca de 40 mil barris por dia (bpd). "Estabelecemos como meta ambiciosa tentar alcançar pelo menos 50% a mais da produção que temos no oeste", disse Mercado. Quando a Maurel & Prom, juntamente com BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell, obteve a licença dos Estados Unidos para operar na Venezuela no início do ano, as empresas foram "talvez muito otimistas no começo", apontou César Álvarez, vice-gerente-geral da petrolífera francesa."Estabelecemos um plano de ação, mas nos deparamos com a realidade e tivemos de adiar determinadas atividades", reconheceu Álvarez. Apesar das dificuldades do setor, a Maurel & Prom espera encerrar o ano com uma produção de 23 mil bpd. Enquanto isso, a UCC Oil and Gas Holding analisa a entrada em novas áreas no país. "Estamos explorando outras oportunidades na Venezuela nas quais possamos formar parcerias e assumir a operação de projetos", afirmou Erik Keskula, diretor da empresa qatari.

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