"Ele não sabe brincar. Olha como ficou meu carro." A frase acompanha um dos vídeos publicados pelo influenciador digital Maykon Santos em sua página no Instragram. As imagens mostram dois veículos velhos, recém batidos, e os motoristas rindo e debochando da situação. A gravação é uma das provas de processo judicial no qual o influencer foi condenado pela Justiça paulista em segunda instância. De acordo com a decisão, tomada no final de julho, ele terá de pagar uma indenização de R$ 100 mil por danos morais coletivos por promover rachas, colisões e outras infrações de trânsito em Peruíbe, no litoral paulista. Ele nega as acusações. A ação foi proposta pela prefeitura em 2024. Segundo o município, Maykon incentivava "espetáculos surreais e ilegais de rachas e batidas" nas ruas e avenidas da cidade, colocando em risco a vida e a segurança de moradores, turistas e motoristas. O influenciador, que possuía cerca de 756 mil seguidores à época da abertura do processo, vai recorrer da decisão. Para a prefeitura, os vídeos tinham como objetivo aumentar a monetização das suas redes sociais. O município também afirmou suspeitar que o influenciador utilizasse os vídeos para vender ilegalmente cotas ou rifas de veículos luxuosos. Em uma das gravações, um carro vermelho, batido, é filmado em meio a uma grande aglomeração de pessoas. A legenda diz: "Chapado. Virou carrinho de bate-bate". Outro post mostra um buggy rodando em alta velocidade em torno de um veículo. Na ação, a prefeitura afirmou que as postagens causavam transtornos aos moradores e exigiam mobilização constante das forças de segurança. "Tais atitudes têm causado grandes transtornos aos munícipes, veranistas e principalmente às forças de segurança pública, que, apesar de estar com o contingente reforçado para a temporada de verão, não é suficiente para conter a profusão de infrações de trânsito e de periclitação da vida e saúde", afirmou o municípío à Justiça. Segundo a administração municipal, o influenciador escolhia justamente os períodos de maior movimento na cidade para realizar as gravações, sobrecarregando os serviços de saúde e de segurança pública. Além da indenização de R$ 100 mil, a Justiça proibiu Maykon de "convocar, promover ou incentivar, por qualquer meio, eventos que envolvam práticas de direção perigosa em vias públicas". A desembargadora Flora Tossi Silva, relatora do processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, disse que Maykon incentivou práticas que colocam a saúde de terceiros em risco. Na defesa apresentada à Justiça, o influenciador negou as acusações. Disse que as únicas provas apresentadas no processo são imagens nas quais ele está em "momentos de lazer", se descontraindo com amigos e que apenas fotografou, filmou e postou os momentos de aglomeração, "assim como provavelmente centenas de pessoas fizeram". Também sustentou que não há qualquer prova de que tenha organizado ou convocado eventos de rachas e classificou como inverídica a acusação de que utilizaria as redes sociais para vender rifas de veículos. "Não há qualquer documento que comprove que tenha se utilizado de suas redes sociais para convidar seguidores para quaisquer eventos", afirmou a defesa nos autos. Procurado pela Folha, o influencer não concedeu entrevista. Em nota enviada à reportagem, o advogado Celso Varella, que o representa, afirmou discordar da conclusão da Justiça e disse não exitir prova de que ele tenha "organizado, convocado ou incentivado práticas de atos ilícitos, razão pela qual entende que a condenação por danos morais coletivos não encontra respaldo suficiente nas provas produzidas nos autos."
Influencer � condenado a pagar R$ 100 mil por promover rachas e colis�es no litoral de SP
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