Se há um setor símbolo dos desajustes históricos da economia brasileira, esse certamente é o industrial. Não apenas seu desempenho tem sido fraco neste ano como a história recente da indústria nacional é de evidente estagnação. Desde janeiro de 2002, a atividade como um todo cresceu apenas 13,8%. A extrativa teve resultado muito melhor, 55,7%, e a de transformação, meros 10%. Com a divulgação pelo IBGE dos números de agosto da produção regional, observam-se ainda mais as disparidades do país. O vigor da indústria extrativa fez com que os estados com forte presença de commodities mostrassem as melhores taxas de expansão. Pará e Goiás são exemplos disso. No primeiro, que se destaca em mineração, houve alta de 119,2% no período, e no segundo, com o hub industrial de Anápolis e vigor do agro, de 107%. O contraste com os estados de pior desempenho é enorme. Ceará e Bahia, com indústrias mais tradicionais, registraram quedas de, respectivamente, 8,6% e 7,4%. Mas a comparação com 2002 é enganosa, pois incorpora o forte ciclo econômico da primeira década do século. Quando comparamos com a média de 2011, o resultado piora. O recuo do setor nesse período é de 13,3%, e mesmo os estados mais prósperos, Pará e Goiás, apresentam números bem mais modestos (18,7% e 27%, respectivamente). As commodities, como se diz, podem muito, mas não podem tudo. Analisando os dados da Organização para o Desenvolvimento Industrial da ONU, vemos que, de 2011 até julho deste ano, o Brasil teve queda de 14%, enquanto a mediana de 68 países apresentou alta de 27%. Os únicos setores em que conseguimos ir melhor do que o padrão mundial são papel e celulose, coque e refino de petróleo. Em alguns segmentos, a lacuna é estonteante. A indústria de eletrônicos e computadores caiu 40% no Brasil, por exemplo, enquanto cresceu 51% na média mundial. Gargalos históricos em infraestrutura e tendência protecionista ajudam a explicar parte importante da nossa industrialização. Richard Baldwin, do IMD Business School, tem sido um prolífico estudioso do assunto e mostrado como a aproximação de países mais pobres a países mais ricos ajuda a aumentar a participação da indústria nos primeiros. Acordos comerciais, como o que finalizamos com a União Europeia, serão um caminho para aumentar a produtividade, assim como a reforma tributária, que tende a penalizar menos o setor. Por fim, o tão esperado ajuste fiscal ajudaria a reduzir os juros. editoriais@grupofolha.com.br
Ind�stria estagnada
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