Indigo aposta em aeroportos e parques para crescer no mercado de estacionamentos e prepara transi��o da 6x1

Indigo aposta em aeroportos e parques para crescer no mercado de estacionamentos e prepara transi��o da 6x1

São Paulo Aeroportos, parques e áreas de entretenimento de modo geral concentram as maiores oportunidades de crescimento no negócio de vagas para estacionamento, diz Thiago Piovesan, CEO da Indigo, multinacional francesa no Brasil há dez anos. "A gente vê, por exemplo, aeroportos crescendo muito o fluxo", diz Piovesan. "Há também muitas concessões de áreas de entretenimento como um todo", afirma ele em entrevista ao programa C-Level. Thiago Piovesan no C-Level Entrevista - Reprodução/TV Folha Sobre shoppings—a empresa é líder na gestão de estacionamentos em shopping centers—, Piovesan diz que a potencial ameaça do ecommerce é monitorada, mas que a perda de presença física no varejo tem sido compensada com áreas de lazer e de gastronomia, o que tem mantido o fluxo de carros. No grupo desde 2018, Piovesan diz que a companhia tem hoje em torno de 350 operações espalhadas em todo o território nacional, entre 360 mil e 380 mil vagas administradas. São estacionamentos de 190 shoppings, de 12 aeroportos, estádios de futebol e entidades de ensino, como a PUC do Rio Grande do Sul. Na área de saúde, está presente em hospitais como Einstein, Sírio Libanês, Hcor e Oswaldo Cruz; parques, como o Ibirapuera, Villa-Lobos e Parque Nacional do Iguaçu, e áreas de entretenimento como o Zoológico de São Paulo e os aquários de São Paulo e de Balneário Camboriú. Ao comentar as eleições presidenciais, Piovesan diz que o sobe-e-desce dos mercados não restringe o investimento, mas acaba dosando a velocidade em que ele é feito. Para um quarto mandato do presidente Lula, o executivo diz que há algumas preocupações no radar, como o desenvolvimento da reforma tributária e os preparativos para o fim da escala 6x1. Mas reforça que o fundamental é ter previsibilidade. Olhando para o negócio, diz que a taxa de juros faz com que o setor pare um pouco para analisar o mercado antes de seguir investindo, após um semestre em que os planos estavam saindo lentamente das gavetas. "A taxa de juros afeta tanto esse projeto futuro de crescimento como o dia a dia, as pessoas indo ao shopping, aeroporto, evento." No entanto, diz ele, o mix das operações em carteira fortalece o modelo de negócios, à medida que reduz o risco. Se o fim da escala 6x1 pega muito fortemente o segmento hospitalar, por exemplo, em outros setores há a possibilidade de investir mais em tecnologia e automação. A Indigo tem 5.000 funcionários —350 administrativos e um universo de manobristas, caixas, operadores de cancela e gestores de pátios. A força de trabalho reunida pela operação brasileira representa metade de todos os funcionários que a companhia tem globalmente, o que impõe ao modelo de negócios, segundo Piovesan, alguns desafios. Entre eles, a contratação, motivação e retenção de funcionários. A Indigo, diz Piovesan, exibe uma alta rotatividade em razão, entre outros pontos, do piso salarial e de uma taxa de desemprego historicamente baixa, além, segundo ele, da "existência de políticas públicas". "Quando você tem muitas políticas públicas, uma série de incentivos e tudo o mais, se causa nessa população talvez um pouco mais de rotatividade", diz. "E não são 5.000 pessoas numa fábrica, né? A gente está no Brasil inteiro, em mais de cem municípios." A empresa vem se reorganizando diante do fim da escala 6x1, já que um terço da mão de obra contratada opera hoje nesse regime. A expectativa é de "substancialmente mais contratações", principalmente no segmento de hospitais, que opera 24 horas, sete dias por semana. O número grande de funcionários em relação a outros países, diz o executivo, não é resultado de falta de tecnologia ou inovação, mas de um modelo de negócio que, culturalmente, privilegia o atendimento presencial. "Muitas das operações na França não têm ninguém. Você entra no estacionamento, aperta um botão e vai falar com uma central. A gente tem a central aqui também, mas se aperta o botão em último caso." Com faturamento de R$ 2 bilhões esperado para 2026, a empresa tem, nas contas de Piovesan, no máximo, 15% do mercado brasileiro, bastante pulverizado. Uma maior consolidação, diz ele, deve ser acelerada pelas movimentações na legislação trabalhista e tributária. "Certamente, sempre existirão os concorrentes locais, os menores, mas existe uma tendência de cada vez ir enxugando um pouco mais." O Brasil é a terceira maior operação do grupo, atrás da França —a matriz— e da Espanha, e tem um dos maiores planos de crescimento. Se o país pode ultrapassar a Espanha? "Que os espanhóis não me ouçam", diz ele, ao lembrar que a participação de mercado da empresa já é alta naquele mercado e que o Brasil ainda tem uma frota de veículos per capita pequena. Atualmente, diz ele, a inteligência artificial tem ajudado a mapear o histórico de uso do estacionamento do ponto de vista sazonal, oferecendo vagas de acordo com esse mapeamento. A empresa desenvolveu um banco de dados a partir dos 95 milhões de veículos que passam por ano pelos seus estacionamentos, o que permite comparar a atuação de um empreendimento à do segmento a que ele pertence, e agir em cima disso. Para surpresa inicial de Piovesan, o Brasil hoje exporta para outras unidades do grupo experiência em modelos de treinamento de pessoas e excelência no atendimento. "A nossa líder de auditoria interna apoia a operação da Colômbia e também vai para a França levar melhores práticas de prevenção de perdas." E como vai estar o negócio de estacionamento daqui a dez anos? Piovesan diz que os espaços serão grandes hubs de serviços e de conexões, seja abrigando bicicletas elétricas ou drones que farão o transporte inclusive de passageiros. "Vou de casa até uma arena, mas não preciso ir de carro até a arena. Posso ir até um estacionamento, de lá tomar uma segunda mobilidade mais eficiente, mais rápida, mais barata, mais ESG [comprometida com práticas mais sustentáveis]." RAIO-X | Indigo Fundação: 1964 na França Sócios: globalmente, Crédit Agricole Assurances (49,5%); Vauban Infrastructure Partners (34,5%); e MR Infrastructure Investment/MEAG (14,9%) Sede: São Paulo e Porto Alegre Atuação no Brasil: presente em 24 estados e mais de 100 cidades Faturamento: operação brasileira registrou R$ 1,7 bilhão em 2025 e prevê R$ 2 bilhões em 2026, com crescimento de 18% Investimentos: entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões por ano no Brasil Unidades: mais de 350 operações e aproximadamente 350 mil vagas no Brasil Funcionários: mais de 5.000 colaboradores no Brasil Tamanho do setor: não há estatística oficial Principal concorrente: Grupo Estapar

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