O anúncio dos indicados ao Emmy 2026 ajuda a entender a crise da indústria de TV nos Estados Unidos. Tanto em volume quanto em qualidade, há sinais claros de que o negócio não anda muito bem. Segundo o The New York Times, o Emmy recebeu a inscrição de 212 séries nas categorias de drama, comédia, minissérie e telefilme, uma redução de 7% em comparação ao ano passado. É o quarto ano seguido de declínio. Comparada a 2022, a queda é de 39%. Há novas minisséries de qualidade entre os principais indicados, como "DTF St. Louis" e "O Segredo de Widow’s Bay", ousadas, cada uma à sua maneira, mas que não tiram o fôlego de ninguém. Outra novidade, "Rooster", comédia com o grande Steve Carell, é divertida, mas está longe de empolgar. Ainda estamos sob a égide da "era de ouro da TV Média", como definiu o crítico americano James Poniewozik há dois anos, sobre um tipo de produção de qualidade, elegante, de bom gosto, com locações incríveis, que apenas lembram as grandes séries de antigamente. Tudo médio. Não à toa, o destaque maior deste ano foram as indicações para duas produções veteranas. O drama médico "The Pitt", feito para durar anos, e que acrescenta pouca novidade ao gênero, teve 25 indicações. Já a excelente "Hacks", encerrada após cinco temporadas, roubou a cena no gênero comédia com 24 indicações. Em contraste com este quadro de poucas surpresas, é preciso mencionar "Pluribus", ficção científica de Vince Gilligan, o criador de "Breaking Bad" e "Better Call Saul", que foge da mesmice, com 18 indicações. A aposta no básico, no menos arriscado, pode ser uma resposta à crise que se vislumbra na indústria de televisão nos Estados Unidos. Um fato que puxa a qualidade do conteúdo dos serviços de streaming para baixo é o peso da concorrência do YouTube. A plataforma de publicação de vídeos e transmissões ao vivo vem ampliando sua vantagem em tempo de visualização sobre Netflix, Disney e outros. Maratonar Um guia com dicas de filmes e séries para assistir no streaming Em coluna na Bloomberg, o jornalista Lucas Shaw esmiúça o impacto do YouTube sobre o cardápio das plataformas de streaming. Só na semana passada, segundo ele, a Netflix garantiu os direitos de programação de três youtubers. A esses acordos se somam outros seis canais, contratados nos últimos tempos. Juntos, somam mais de 500 milhões de inscritos no YouTube. A Netflix, observa Shaw, não está exigindo exclusividade nestes acordos. Alguns desses criadores vão transformar seus vídeos do YouTube em episódios para a plataforma, e outros estão desenvolvendo novas séries originais. As ações da Netflix chegaram a cair 9% na semana passada após ela anunciar uma redução na previsão de receita para o ano, agora estimada entre US$ 51 bilhões e US$ 51,4 bilhões. Os acionistas também ficaram mal impressionados com a decisão da empresa de divulgar o relatório de "horas assistidas" apenas uma vez por ano e não mais a cada semestre. A concorrência entre as plataformas também está se afunilando. "The Pitt" e "Hacks" são da HBO, que pertence à Warner. A empresa recebeu um total de 122 indicações para suas produções, ante 111 da Netflix e 87 da Apple TV. Como registrou a Ilustrada, fora dessas três, não há concorrência próxima. Segundo o The New York Times, até mesmo o futuro da transmissão do Emmy está incerto. O acordo de rodízio entre as emissoras, em vigor há mais de três décadas, termina este ano, mas não está claro se ABC, NBC, Fox ou CBS farão uma proposta conjunta para exibir a premiação novamente. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Indica��es ao Emmy exp�em os sinais da crise da ind�stria de TV
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