Ind�genas relatam persegui��o pol�tica e temem ataques no interior de SP

Ind�genas relatam persegui��o pol�tica e temem ataques no interior de SP

Os indígenas das etnias terena, tupi-guarani e kaingang relatam sentir medo após circularem áudios com ameaças aos povos da região de Avaí (a cerca de 300 km a noroeste de São Paulo). As mensagens teriam vazado de um grupo bolsonarista e sugerem perseguição por motivação política aos eleitores de Lula (PT). "Vamos ver o que o nosso município está fazendo para dar cesta básica para esses índios filhos da puta, para esse povo pobre. E a gente tem que ficar assim, 1.505 votos para o PT em Avaí. Ganhamos aqui por pouco", diz um homem identificado como Dirceu Pereira Carvalho. Outro áudio, também atribuído a Carvalho, diz que a polícia local é "maioria anti-Lula" e que o grupo deveria "usar disso" ao seu favor. "Vamos dar moleza, não. Nós sabemos quem foi PT aqui. Então, vamos perdoar, não, velho. Fez coisa errada, nós vamos para cima." Ele é vizinho da Terra Indígena Araribá, que abriga as aldeias Kopenoti, Ekerua, Nimuendaju e Teregua. À Folha disse estar arrependido de enviar os áudios, falou que a situação "foi um mal-entendido" e que não fará nenhuma ação contra os indígenas. O cacique Chicão Terena, da aldeia Kopenoti, disse que os indígenas conhecem o homem. Ele teria participado de eventos nas aldeias no passado. "Nós tivemos reunião entre as quatro aldeias após receber esses áudios. Ficamos apreensivos. Não esperávamos isso de um morador aqui do município, falar dessa forma com os povos indígenas. Isso é discurso de ódio", afirma Terena. A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) solicitou apoio do Ministério Público Federal, do Ministério Público Eleitoral, da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo para atuar no caso em Avaí. Desde o fim do segundo turno, no dia 25, etnias em diferentes partes do Brasil relatam sofrerem ameaças de cunho político relacionado ao apoio a Lula. Uma das promessas de campanha do presidente reeleito foi avançar na demarcação de terras de indígenas. Em aldeias de Mato Grosso do Sul, onde há conflito histórico por questões fundiárias, indígenas dos povos guarani kaiowá e terena também receberam áudios com ameaças e relatam perseguição nas redes sociais. O material foi reunido e encaminhado para a polícia. O governo federal investiga a possível motivação política dos ataques virtuais. Neste sábado, os ministros Eloy Terena (Povos Indígenas) e Janine Mello (Direitos Humanos) visitaram aldeias nos municípios sul-mato-grossenses de Coronel Sapucaia e Tacuru. Na última semana, um servidor da prefeitura de Tacuru teria sido afastado após gravar um áudio sugerindo envenenar a água que seria da aldeia Sassoró após o resultado da reeleição Lula. "Já falei, tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água", diz. Ele não foi identificado. Em publicação em suas redes sociais, o prefeito Rogério Torquetti (PSDB) disse que um processo administrativo foi aberto e que ele é um "excelente servidor". Destacou ainda que o autor do áudio não trabalha com caminhão-pipa ou abastecimento de água. Em Dourados (MS), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniu equipes das polícias Federal e Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e órgãos estaduais para tratar do tema. Equipes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) também foram deslocadas às aldeias de onde partiram denúncias, para qualificar informações e prestar apoio.

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