No dia seguinte à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), a imprensa internacional, em especial veículos dos Estados Unidos e da Europa, publicou análises vendo no desempenho do petista uma fórmula para derrotar a extrema direita no mundo —e relacionando o resultado das eleições brasileiras a um enfraquecimento de Donald Trump. O jornal americano The New York Times, em artigo intitulado "O estadista mais influente da América Latina interrompe uma onda de direita", escreveu que a vitória "improvável" de Lula "marca um rechaço impressionante ao avanço da direita, revivendo um movimento de esquerda que parecia estar à beira da extinção" na região. O artigo prossegue: "Lula mostrou um raro exemplo de resistência à estratégia de Washington de projetar poder militar e econômico" na América Latina, "reagindo a Trump, que tentou pressionar o Brasil com tarifas e sanções". O republicano, após lobby de Flávio e de seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas em tentativa de fortalecer a campanha do senador. Também impôs tarifas sobre exportações brasileiras, com o secretário de Estado, Marco Rubio, acusando Lula de má-fé nas negociações comerciais. "[Flávio] Bolsonaro, o oponente de direita de Lula, por sua vez, prometeu se unir a uma aliança regional de segurança", referência ao Escudo das Américas, "e ofereceu os amplos recursos de terras raras como uma forma de diminuir a dependência americana da China", diz o texto do New York Times. O jornal alemão Die Zeit, um dos mais importantes do país europeu, publicou uma análise intitulada "Lula triunfa, mas o clã Bolsonaro não desiste". Nela, o veículo diz que a vitória de Lula "mostra como derrotar extremistas de direita". "Parecia inevitável que o filho de um golpista condenado ocuparia a Presidência", diz o artigo. "Um homem que enfraqueceu a democracia, entregou a Amazônia ao desmatamento e ofereceu a independência do Brasil aos EUA." "Mas brasileiros comuns começaram a fazer parte da campanha", prossegue o texto. "Foram às ruas em mais de 70 cidades. Estranhos se abraçavam assim que se reconheciam como apoiadores de Lula. Cada vez mais pessoas se organizaram por conta própria, tentando convencer as pessoas a votar. A esquerda se encontrou no medo do retorno do autoritarismo." O influente site americano Axios relacionou a vitória de Lula com a derrota do líder nacionalista Aleksandar Vucic na Sérvia, próximo de Trump. Em análise, o site disse que o Brasil negou ao republicano "a oportunidade de ter um aliado à frente da maior economia da América Latina, quebrando uma série de sete vitórias conservadoras na região" —em referência a eleições em países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. "Na Europa, a Sérvia e a Hungria derrubaram líderes próximos a Trump que dominaram a política de seus países por anos", diz o Axios, em referência a Vucic e a Viktor Orbán, derrotado no início do ano por Péter Magyar. "Agora, outra eleição crucial se aproxima nesta terça (27), onde outro aliado de Trump, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, enfrenta uma batalha por sua sobrevivência política." Israel vai às urnas na terça em uma das eleições mais importantes em décadas, com as pesquisas eleitorais apontando que Netanyahu pode sair derrotado e obrigado a entregar o governo para a oposição, a depender das negociações de coalizões no conturbado parlamentarismo israelense. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O jornal francês Le Monde dedicou o editorial desta segunda ao resultado das eleições brasileiras: "Com a vitória de Lula, a extrema direita é frustrada no Brasil". O texto, que exprime a opinião do veículo, diz que "a guinada à direita da América Latina encontrou uma barreira". "A perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, cujo mandato caótico terminou em uma tentativa de golpe, causou repulsa no eleitorado brasileiro", afirma o jornal. "Sua derrota representa um retrocesso importante para o ocupante da Casa Branca, Donald Trump, e para seu projeto de colocar sob sua tutela o continente americano."
Imprensa internacional v� na vit�ria de Lula sobre Fl�vio f�rmula para derrotar extrema direita
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