Como um ecossistema, a mobilidade urbana depende de uma articulação entre modais de transporte, restrições e incentivos que favoreça a locomoção. A maior metrópole brasileira, contudo, enfrenta graves desequilíbrios, como indica levantamento da Folha. A frota de São Paulo —carros, motos, ônibus, entre outros— subiu de 4,3 milhões em julho de 2006 para 10,1 milhões em julho deste ano, de acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito. Um dos fatores que contribui para essa expansão é a precariedade do transporte público, e uma de suas consequências é a lentidão nos deslocamentos. Uma comparação com Nova York ajuda a visualizar a dimensão do problema. São Paulo tem 11,9 milhões de habitantes e mais de 10 milhões de veículos, ante 8,5 milhões e 2,2 milhões, respectivamente, na cidade americana. A rede metroviária de Nova York tem 399 km de extensão e 472 estações, o que representa 46,5 km e 55 estações por milhão de habitantes. Já a paulistana tem apenas 111 km de extensão e 98 estações (9,3 km e 8,2 estações por milhão de habitantes). Com muitos veículos e transporte público insuficiente, vem a morosidade. A média de congestionamento registrada em agosto pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi de 460 km, a maior desde os 475 km no mesmo mês de 2019 —um ano antes de a pandemia esvaziar as ruas. Na série da CET realizada em parceria com o aplicativo Waze, iniciada em 2023, o início da noite de 24 de junho deste ano teve a maior lentidão, com 1.690 km. No horário de pico da tarde (às 17h), a velocidade média dos ônibus varia entre 12,7 km/h e 13 km/h, e a reclamação de passageiros sobre atrasos e longos períodos de espera é constante. Além de medidas de longo prazo como expandir e melhorar o transporte público e aumentar a densidade urbana, há evidências de que o pedágio urbano incentiva o uso do transporte coletivo e reduz congestionamentos. Nova York implantou a política numa zona de Manhattan em janeiro do ano passado. Segundo a Controladoria da cidade, entre 2024 e 2025, o número de veículos na região tarifada caiu 11%, os ônibus ficaram 2,3% mais rápidos, e tanto o metrô quanto os ônibus registraram alta de 7% no número de passageiros. Fora da zona, as velocidades se mantiveram estáveis e, em alguns casos, até diminuíram. Os governos estadual e municipal precisam unir esforços para conter desequilíbrios. O tráfego dos paulistanos não pode mais ser uma odisseia diária. editoriais@grupofolha.com.br
Imobilidade paulistana
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