A edição 2026 do RUF (Ranking Universitário Folha) traz 18 imagens que se relacionam com o universo da produção de conhecimento, todas criadas por inteligência artificial com o uso de agentes desenvolvidos por pesquisadores do Grupo de Arte e Inteligência Artificial da FAU-USP/ Inova USP (Gaia). As criações que acompanham o especial foram produzidas por sucessivas interações com a ferramenta, combinando experimentações visuais, referências artísticas e definições editoriais. Os trabalhos são assinados por Giselle Beiguelman, coordenadora do Gaia e professora titular da FAU-USP, e pelos pesquisadores Bianca Turner, Felipe Mamone, João Generoso Gonzales, Luisa Rodrigues, Maria Clara Villas, Renata Perim Lopes e Rian Souza. Para guiar o trabalho coletivo e dar unidade à série, a equipe desenvolveu o agente de IA Acervers RUF. Já a paleta de cores seguiu sugestões do agente baseadas na pauta da Folha, como azul mineral, vermelho de óxido, rosa intenso, verde ácido e malva. A orientação editorial, no entanto, se limitou a propor que as imagens explorassem as relações entre IA, universidade e produção do saber, estimulando uma reflexão sobre o papel da ferramenta neste momento de inflexão na história do conhecimento. Entre as instruções dadas pelos pesquisadores ao agente estavam a criação de imagens abstratas a partir de repetições, sobreposições e transformações visuais, com variedade de composição e unidade estética. Os comandos também pediam que as imagens dialogassem com as pautas do caderno e que o agente identificasse e corrigisse soluções literais ou previsíveis. Já as legendas sintetizam as definições e operações visuais envolvidas na criação, mas não reproduzem literalmente os prompts enviados à IA, uma vez que as imagens resultaram de várias interações com a ferramenta.Segundo Giselle Beiguelman, o agente também foi instruído a partir de artistas pioneiros da arte computacional e da obra "Endless Amusement", coletânea anônima publicada em Londres no século 19, dedicada a experimentos de óptica e ilusionismo. Como resultado, o leitor encontra planos arquitetônicos que se dobram e mudam de direção, partículas e tramas que oscilam entre ordem e dispersão, e também uma flor que parece renascer das cinzas por meio de um truque óptico, entre outras. Em suma, composições que exploram novas formas de organizar e reconstruir o mundo, sempre em movimento, preservando as ambivalências do presente. Leia abaixo o texto de apresentação dos trabalhos, escrito por Giselle Beiguelman, coordenadora do Gaia. Esta série parte de questões que nos fazemos sobre o impacto da inteligência artificial na produção do conhecimento e os impasses da universidade em um mundo em transformação. O Gaia reúne alunos e docentes do programa de pós-graduação em design da FAU-USP e do Inova-USP, vinculados ao projeto temático Fapesp Acervos Digitais e Pesquisa. Trabalhamos com uma linguagem abstrata para traduzir visualmente processos sobre como a informação é codificada e recombinada, tensionando o que se torna visível nesses processos e o que permanece oculto. Criamos um agente de IA para apoiar o processo coletivo e manter a coesão editorial. O agente de IA foi alimentado com referências que articulam artistas pioneiros da arte computacional e a obra ‘Endless Amusement‘, que nos rendeu insights sobre efeitos de profundidade, aparições e perspectivas enganosas. Ao longo do trabalho, a dobra tornou-se uma figura e uma operação conceitual relevante para pensar processos de aproximação e ocultamento. A presença de ruídos e arquiteturas instáveis nas imagens sugerem saberes que se organizam, entre permanências e rupturas. Desde o princípio, optamos por não tratar o projeto como ilustração, em respeito à especificidade do campo, de processos expressivos e de práticas profissionais. Nas nossas imagens, a IA é instrumento de criação, objeto de investigação e crítica. A universidade aparece como espaço em que essas tensões são vividas, discutidas e transformadas em novas perguntas.
Imagens criadas com IA por pesquisadores ilustram especial do RUF de 2026
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