Igreja Presbiteriana desaconselha participa��o no Legend�rios e discute restri��es a psicologia e marxismo

Igreja Presbiteriana desaconselha participa��o no Legend�rios e discute restri��es a psicologia e marxismo

Depois de eleger um novo presidente, o Supremo Concílio da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) aprovou uma resolução que desaconselha a participação de seus membros no Legendários, um dos fenômenos recentes do universo evangélico masculino. A decisão é a primeira de uma série de temas sensíveis que ainda passarão pelo plenário da maior instância deliberativa da denominação. A IPB seguirá discutindo nos próximos dias, em sua reunião quadrienal, propostas sobre atendimento psicológico, participação de mulheres na igreja e a possibilidade de restringir a filiação de presbiterianos a partidos tidos como marxistas. O encontro, que acontece em Manaus, começou no último dia 26 e vai até domingo (2). O posicionamento sobre os Legendários marca uma das manifestações mais contundentes já adotadas por uma grande igreja histórica brasileira contra o movimento, que reúne homens em experiências que usam recursos do coaching em discursos voltados à recuperação da masculinidade. A resolução considera que práticas do grupo não são compatíveis com a tradição reformada professada pela IPB e orienta membros a não promoverem nem participarem de suas atividades. Pastores ligados à comissão responsável pelo parecer afirmam que o crescimento dos Legendários provocou dúvidas em sua membresia sobre a conveniência de aderir ao movimento. A orientação contra, agora, é oficial. Em nota, o Legendários diz que a resolução "tem caráter de recomendação e preserva a autonomia de cada igreja local para avaliar e orientar seus membros", sem estabelecer punições específicas para quem participar do movimento. Diz receber a decisão "com serenidade e respeito, confiante de que a redação aprovada contribui para esclarecer o tema e permite que eventuais avaliações sejam realizadas de maneira responsável e autônoma localmente". A votação ocorreu sem encerrar, porém, a agenda de discussões do Supremo Concílio. Após eleger o reverendo Juarez Marcondes Filho para sua presidência, o órgão vai analisar um documento dedicado à relação entre fé presbiteriana e a psicologia. O texto sob escrutínio reconhece que a psicologia oferece descrições úteis sobre o sofrimento humano e afirma que tratamentos médicos e psiquiátricos são legítimos quando necessários. Também incentiva a atuação de profissionais cristãos da área da saúde mental. Ao mesmo tempo, rejeita aquilo que denomina "psicologismo": a incorporação, sem "filtro teológico", de pressupostos considerados incompatíveis com a doutrina presbiteriana. Segundo o parecer, categorias clínicas como trauma, ansiedade e depressão podem ser utilizadas, mas devem ser interpretadas à luz das Escrituras, que permaneceriam como autoridade final na compreensão da condição humana. A ideia é que o cuidado espiritual não seja substituído por abordagens exclusivamente terapêuticas, embora o documento reconheça que medicina, psiquiatria e psicologia possam desempenhar papel complementar em situações específicas. Outra proposta em análise pretende endurecer a posição da IPB em relação ao marxismo e aos partidos de esquerda. O texto que será votado reforça que o marxismo é uma cosmovisão incompatível com a fé cristã reformada, entendimento já manifestado pela igreja em 2022. A novidade é que parte dos delegados defende transformar essa incompatibilidade doutrinária em restrições concretas à atuação política de ministros e membros. Entre as sugestões apresentadas está a proibição de filiação a partidos vistos como marxistas, comunistas ou ateus —de esquerda, em geral. Uma das emendas apresentadas prevê inclusive a criação de uma comissão encarregada de elaborar um catálogo de legendas consideradas inconciliáveis com a IPB. A proposta encontra resistência dentro da própria denominação. Uma ala argumenta que a igreja corre o risco de extrapolar sua competência espiritual ao definir quais partidos seus membros podem ou não integrar. Eles lembram que o encontro do Supremo Concílio de 2022 optou por condenar o marxismo enquanto cosmovisão, mas preservou a liberdade de filiação partidária dos presbiterianos. Nos bastidores, grupos identificados com posições mais progressistas articulam emendas para ampliar o escopo da resolução. A intenção é incluir também fascismo, nazismo e o chamado nacionalismo cristão entre as ideologias explicitamente condenadas pela igreja, evitando que o documento trate exclusivamente do marxismo. A participação das mulheres também volta ao centro dos debates. Consultas e propostas apresentadas ao Supremo Concílio discutem a ampliação dos espaços ocupados por mulheres em diferentes áreas da vida eclesiástica. Embora a ordenação feminina não esteja na pauta, delegados divergem sobre os limites da atuação das mulheres em ministérios e funções exercidas nas igrejas locais. Quatro anos atrás, a IPB determinou interdições severas à participação das mulheres no cotidiano da igreja, como pregar em "cultos solenes" e distribuir a Santa Ceia. Elas, que já não podiam ser ordenadas pastoras, acabaram com um espaço ainda mais reduzido.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.