iFood vai � Justi�a contra Keeta por pre�o predat�rio e pr�tica anticompetitiva

iFood vai � Justi�a contra Keeta por pre�o predat�rio e pr�tica anticompetitiva

São Paulo O iFood entrou com ação na Justiça contra a Keeta —da chinesa Meituan— por práticas anticompetitivas. O aplicativo acusa a rival de praticar preços predatórios, com a operação financiada por recursos da matriz na China para atrair clientes e sufocar a concorrência. A ação também alega aliciamento de restaurantes exclusivos do iFood, com uso de incentivos para quebra de exclusividade e acesso a dados confidenciais. Segundo alega no processo, a empresa quer combater uma prática de involução de mercado conhecida na China como neijuan, que teria provocado o fechamento de 1,61 milhão de estabelecimentos naquele país em 2025. Em nota, a Keeta diz tratar-se de estratégia do iFood para manter posição dominante no setor. "A Keeta, como marca que entrou há um ano no mercado local, bloqueado por cláusulas de exclusividade e de banimento, está trazendo mais oportunidades para restaurantes, entregadores parceiros e consumidores", afirma. Keeta, maior app de delivery do mundo, apresenta novidades em sua entrada no Brasil; capacete inteligente é uma delas - Cristiane Gercina/Folhapress O processo foi distribuído à 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem de São Paulo. Há uma denúncia paralela tramitando no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Na ação, o iFood afirma que a estratégia reproduz práticas adotadas pela controladora chinesa Meituan em outros mercados. Segundo a empresa, a Keeta oferece preços, comissões e incentivos abaixo dos custos, sustentados por aportes da matriz, para conquistar mercado e eliminar concorrentes. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesA plataforma também afirma que os descontos criam uma demanda artificial, que pode desaparecer quando os subsídios forem reduzidos, deixando restaurantes com menos vendas, consumidores sujeitos a preços mais altos e entregadores com menos trabalho. O processo cita o caso de Hong Kong, onde a Keeta teria subsidiado a operação e distribuído cupons até levar a Deliveroo, principal concorrente, a deixar o mercado. Após a saída da rival, segundo o iFood, a empresa elevou as comissões dos restaurantes de 15% para cerca de 35%, cortou os subsídios e reduziu a remuneração dos entregadores. Para sustentar os argumentos, o iFood diz que a Keeta teve déficit no Brasil. A empresa iniciou suas operações no Brasil em outubro de 2025, em São Vicente e Santos, no litoral paulista, e chegou à capital em dezembro do mesmo ano. Desde então, passou a oferecer cupons de até R$ 200 em São Paulo, descontos de até 60%, entrega gratuita, ressarcimento automático por atrasos e comissões de 9,9% sobre os valores repassados aos restaurantes. A receita líquida, até então, tem sido negativa, diz o iFood, que também acusa a concorrente de montar uma equipe com ex-funcionários da plataforma para abordar restaurantes com contratos de exclusividade. A petição inclui gravações de áudio nas quais um gerente da Keeta teria admitido que a equipe foi criada para buscar esses estabelecimentos e a companhia estaria disposta a ajudar no pagamento de multas pela quebra dos contratos. O iFood afirma ainda que houve tentativa de obter informações comerciais protegidas por cláusulas de confidencialidade. A ação pede que a Justiça proíba a Keeta de praticar preços abaixo dos custos e de oferecer vantagens para que restaurantes rompam contratos de exclusividade, além de impedir o uso não autorizado de informações confidenciais. O iFood também solicita indenização por danos materiais e multa de R$ 200 mil por danos morais. O aplicativo pede uma perícia econômico-financeira para avaliar o volume de subsídios concedidos pela rival. Em seu posicionamento à Folha, a Keeta afirma que o iFood tem cerca de 80% do mercado brasileiro e tenta impedir a entrada de concorrentes para preservar sua posição dominante. A empresa diz estar presente em 32 cidades e afirma que os cupons são uma prática comum no setor, utilizada inclusive pelo iFood. Segundo a plataforma chinesa, as promoções ajudam a atrair consumidores e ampliar as oportunidades de negócios para restaurantes e entregadores. Veja a resposta da Keeta na íntegra: Esta é uma estratégia clara da plataforma monopolista para manter sua posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante que busca fomentar um mercado competitivo em benefício de todo o ecossistema de entrega de comida: restaurantes, entregadores parceiros e consumidores. Com cerca de 80% de participação de mercado no Brasil, a plataforma dominante — que consolidou sua posição no país por meio de uma estratégia agressiva de cláusulas de exclusividade impostas aos restaurantes, e que sufocou os concorrentes — agora tenta minar a capacidade de uma empresa entrante de competir minimamente, e trazer para o país tecnologia de ponta e experiência de mais de 15 anos de presença global em entrega de comida. E, dessa forma, tenta também desviar a atenção das autoridades da investigação do CADE que enfrenta atualmente por descumprimento do acordo assinado com a autarquia referente a cláusulas de exclusividade e outras práticas indevidas que prejudicam gravemente o setor. O Brasil é o único mercado do mundo dominado por um monopólio dessa proporção no segmento de entrega de refeições. A Keeta, como marca que entrou há um ano no mercado local, bloqueado por cláusulas de exclusividade e de banimento, está trazendo mais oportunidades para restaurantes, entregadores parceiros e consumidores — e, ao tentar impedir a competição, a plataforma dominante suprime esses benefícios e mantém o mercado local refém de um serviço mais caro e de menor qualidade. Presente em apenas 32 cidades, incluindo 1 região metropolitana (São Paulo), a Keeta usa cupons para incentivar a experimentação inicial pelos usuários e garantir que os consumidores tenham uma opção de mais qualidade para entrega de comida no Brasil, permanecendo na plataforma por sua previsibilidade e experiência. O uso de cupons é uma prática comum de mercado, aplicada por todas as empresas, incluindo o próprio iFood. O setor brasileiro de entrega de comida continua disfuncional e precisa com urgência de decisões que promovam um mercado justo e competitivo, viabilizando um crescimento sustentável, com mais oportunidades para restaurantes e entregadores, preservando a escolha do consumidor e acelerando a inovação.

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