São Paulo O iFood se prepara para investir R$ 24 bilhões no mercado brasileiro até março de 2027, volume 41% maior do que os R$ 17 bilhões investidos até março deste ano. O anúncio será feito nesta quarta-feira (16), durante o iFood Move, realizado na zona sul de São Paulo. A empresa aposta em várias frentes para acelerar a expansão dos negócios além do delivery de comida, com aporte de recursos em IA (inteligência artificial), serviços financeiros, área de benefícios, supermercados, farmácias, pet shop, comércio de presentes e entrega turbo, feita em até 20 minutos. Em entrevista à Folha, Diego Barreto, CEO do iFood, afirma que, mesmo com os desafios —em especial com a entrada dos concorrentes chineses—, a empresa não deixa de apostar no crescimento. "É fato que é um ano desafiador do ponto de vista macroeconômico. A inadimplência está alta, a inflação está alta, a taxa de juros está alta, e isso é um desafio. Mas dentro da nossa cultura, a lógica nunca foi olharmos para esses elementos e, sim, para a inovação", afirma. iFood aposta em entrega turbo de até 20 minutos para crescer no delivery com a chegada da concorrência chinesa - Danilo Verpa/Folhapress A companhia, que completa 15 anos de operação, conecta atualmente cerca de 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades e 600 mil entregadores. O volume de entregas mensais já supera 180 milhões de pedidos por mês. A IA deve receber investimentos de R$ 2 bilhões entre treinamento de modelos e desenvolvimento de produtos. A empresa trabalha no chamado LCM (Large Commerce Model), treinado com dados próprios, e prepara um assistente para restaurantes que permitirá aos estabelecimentos administrar a operação de forma conversacional, usando informações do próprio negócio. Barreto afirma que o investimento em tecnologia faz parte de uma estratégia construída ao longo dos últimos anos, baseada em testar produtos, analisar os resultados e ampliar aqueles que demonstram potencial de crescimento. Outra frente importante será o iFood Pago, braço financeiro da companhia, que terá aportes de R$ 5 bilhões. Segundo Barreto, o iFood Pago deve crescer 70% neste ano, principalmente com a concessão de crédito para restaurantes. A companhia também vem testando e ampliando o crédito para pessoas físicas. O iFood Benefícios, que tem crescido 100% ao ano, também será expandido, com investimentos de R$ 10 bilhões nos próximos 12 meses. O iFood Pago, por sua vez, já soma 15 milhões de assinantes. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesO iFood também prevê crescimento nas chamadas novas verticais. Segundo Barreto, supermercados devem avançar mais de 60% e farmácias, mais de 70%. A empresa espera ainda expansão superior a 100% em pet shops, bebidas e conveniência, e presentes. Na área de presentes, a companhia pretende ampliar a oferta de produtos de beleza, como perfumes, maquiagem e itens de cuidados pessoais, além de brinquedos e produtos de uso cotidiano, como carregadores e capas de celular. O iFood também vai integrar ao aplicativo os serviços da CRM Bônus, permitindo combinar recursos como cashback, bônus e giftbacks. Na operação de restaurantes, duas apostas terão expansão acelerada. O hits, voltado para refeições do dia a dia, com preços mais baixos e sem taxa de entrega, que deverá avançar para cidades médias, e o turbo, com entregas em até 20 minutos. A modalidade será ampliada para todas as capitais e vai atender farmácias, mercados e pet shops. Pesquisa da Fipe (Fundação de Pesquisas Econômicas) mostra que o valor movimentado pela cadeia do iFood cresceu 19% em relação a 2024 e, desde 2020, a alta acumulada chega a 175%. A atividade da empresa movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,70% do PIB (Produto Interno Bruto). O estudo estima ainda 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos associados à plataforma, mais de 1% da população ocupada no país. Para Barreto, que se diz um otimista incorrigível, as dificuldades devem ser encaradas e superadas. "Quando as pessoas falam de otimismo, felicidade, vem junto um sentimento quase de ingenuidade. Eu sou otimista e, se isso envolver ser ingênuo, eu prefiro ser ingênuo. Eu prefiro acreditar que é possível lutar e trabalhar pesadamente todos os dias para ir buscar uma visão, um sonho que você está perseguindo." Regulação dos aplicativos e concorrência chinesa Com a expansão dos negócios, o iFood afirma que a renda dos entregadores deve crescer 20%. O executivo diz defender a regulamentação do trabalho por aplicativos, mas afirma que há pouco espaço para aprovação de novas regras neste ano no Legislativo. Para ele, a legislação deveria garantir remuneração mínima baseada no salário mínimo, hoje em R$ 1.621, ressarcimento de despesas de trabalho, seguro e contribuição à Previdência Social. Barreto diz que o iFood é favorável à regulação desde 2021 e afirma que a empresa já oferece seguro e telemedicina aos entregadores, além de estar testando financiamento para casa própria. Segundo ele, a renda média dos entregadores estaria em torno de 200% do valor-hora do salário mínimo brasileiro. O executivo ressalva, porém, que manifestações recentes realizadas contra o Mais Entregas não representam necessariamente os 600 mil entregadores da plataforma. A categoria tem reivindicado, entre outros pontos, uma taxa mínima de R$ 10 por entrega. O debate ganhou força após o programa Mais Entregas, que prevê pagamentos de R$ 3 a R$ 3,50 por entrega, abaixo dos R$ 7 a R$ 7,50 da modalidade Nuvem. O iFood afirma que o novo modelo pode gerar maiores por hora. A respeito da concorrência chinesa, Barreto defende a entrada de novas empresas, mas lembra que o app acionou uma das concorrentes por espionagem. Parte da ação corre no Brasil e parte, no Estados Unidos. No processo, o iFood acusa o app de tentar obter informações sigilosas por meio de entrevistas remuneradas e abordagens a funcionários. Segundo ele, uma quebra de sigilo determinada nos Estados Unidos permitiu identificar empresas por trás das abordagens. O caso também é investigado pela polícia em São Paulo.
iFood anuncia R$ 24 bi em investimentos e amplia aposta no Brasil at� 2027
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