Homens protestam contra viol�ncia de g�nero em Berlim

Homens protestam contra viol�ncia de g�nero em Berlim

Não foi um típico Dia dos Pais na Alemanha. Nada de cerveja, carros alegóricos ou passeios só de homens, como em anos anteriores. Parte deles decidiu ressignificar a data, que no país é comemorada 40 dias após a Páscoa, organizando um protesto contra a violência de gênero em Berlim nesta quinta-feira, 14. E convocando outros homens a enfrentar o machismo e os abusos contra mulheres. "Eu acho que esse é um tema muito importante e, com certeza, muito mais legal do que sair por aí puxando um carrinho de bebidas", diz um manifestante. Segundo os organizadores, a iniciativa surgiu da frustração com a raridade de homens que se posicionam contra a violência de gênero. "Quando se fala sobre isso, dá para perceber que o ambiente fica mais silencioso e que talvez seja um assunto delicado", afirma outro presente. Muitas vezes, o peso de conduzir esse debate público recai sobre as mulheres, enquanto os homens permanecem em silêncio. "Nas lutas que já duram décadas contra a violência de gênero, os homens são praticamente invisíveis, praticamente inaudíveis, porque é muito fácil para eles se esquivarem da responsabilidade", diz Jakob Filzen, um dos organizadores do protesto "Homens contra a violência". Esse protesto é contra homens que não se posicionam a favor das mulheres. E que não intervêm no comportamento abusivo de outros homens. "Na imensa maioria dos casos, a violência parte de homens e, em pouquíssimos casos, homens se colocam contra isso", afirma Filzen. Para os organizadores, é nos espaços masculinos que o enfrentamento da violência patriarcal precisa começar. "Não podemos deixar essa luta sempre apenas nas mãos do grupo da população que é menos favorecido", diz o comediante e ativista Aurel Mertz. A Alemanha vive agora um debate nacional mais amplo sobre violência de gênero e violência digital. Para muitos que estão nessa manifestação, ressignificar o Dia dos Pais é mudar o que se entende por masculinidade. Buscando uma maior responsabilidade e solidariedade com as mulheres. "Temos muito a recuperar no sentido de refletir sobre o que nossos pais nos transmitiram, o que a sociedade nos transmitiu em termos de machismo sistêmico", conclui um manifestante.

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