Clientes que procuraram atendimento presencial em agências da Caixa Econômica Federal nesta quinta-feira (10) encontraram as portas fechadas e cartazes informando sobre a greve nacional da categoria. Apenas os caixas eletrônicos estavam funcionando. A reportagem da Folha esteve em unidades na zona leste da capital paulista e na região central de São Paulo, e em Curitiba, no Paraná. Em todas elas havia cartazes e faixas sobre a paralisação, que começou nesta quinta e não tem data para terminar. No Banco do Brasil, a greve é parcial e atinge alguns estados. Em São Paulo, o funcionamento foi normal. O impasse entre os empregados da Caixa e do BB com a direção é pelo plano de saúde. Bancos privados aceitaram a proposta dos bancos e assinaram o acordo da categoria na quarta (9), com reajuste real de 0,6% acima da inflação. Prazos de vencimento de contas e boletos não mudam por causa da mobilização e deixar de cumprí-los pode acarretar pagamento de multa e juros. Há opção também de pagamento de boletos e contas em redes de supermercados e casas lotéricas que oferecem esse serviço. Procurada, a Caixa afirmou que mantém o diálogo com as entidades que representam os empregados e que retomou as negociações nesta quinta com o objetivo de chegar a um acordo. Durante a greve, clientes podem usar canais digitais e remotos, como internet banking, WhatsApp (0800 104 0104) e aplicativos Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS, dentre outros. Por telefone, os clientes podem ligar para os números 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-1040104 (demais regiões). O Banco do Brasil informou que participa da mesa única de negociação da categoria bancária, coordenada pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), e mantém também uma mesa específica com as entidades sindicais que representam os funcionários do banco. Segundo o BB, foram realizadas rodadas de negociação para a data-base de 2026 que resultaram na proposta apresentada aos sindicatos. O banco orienta clientes a realizar atendimento por aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e telefone, nos números 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-729-0001 (demais localidades), além do WhatsApp (61-4004-0001). Clientes que preferiram não se identificar disseram não estar sabendo da greve. Uma dona de casa de 46 anos foi até uma unidade, no Jardim Nordeste (Artur Alvim), e, ao saber da paralisação, disse que iria procurar um banco privado para pagar a conta. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. CARTAZES DA MOBILIZAÇÃO E ATENDIMENTO VIA GERÊNCIA Um entregador de aplicativo de transporte levou um documento até a mesma agência e afirmou que a greve em si não o prejudica, e que não teve dificuldades para entregar a documentação porque a gerência da unidade o recebeu. Gerentes ouvidos pela reportagem, também em condição de anonimato, disseram que os funcionários operacionais pararam e que alguns empregados com cargos de gerência estavam em atendimento a demandas administrativas. A paralisação dos funcionários da Caixa atinge não só o público que precisa de atendimento no caixa presencial, mas também no caso de serviços administrativos, como financiamento da casa própria, por exemplo. Em outra agência da Caixa, os trabalhadores terceirizados, como atendentes do hall de entrada e vigilantes estavam nas unidades. Uma funcionária que pediu para não ser identificada orientava os clientes, mostrando os cartazes e os telefones de atendimento bancário a distância. Também orientava o pagamento de contas e outras funcionalidades a quem precisava usar o caixa eletrônico. Segundo ela, os terceirizados são obrigados a trabalhar, porque não são empregados públicos concursados e não têm estabilidade. A trabalhadora também lamentou que terceirizados não têm plano de saúde.MUDANÇAS NO PLANO DE SAÚDE O entrave no plano de saúde ocorre porque, hoje, os bancários pagam 3,5% do salário-base de convênio, mais R$ 480 por mês por dependente. Se o dependente tiver entre 24 e 27 anos, o valor é de R$ 800. A proposta da Caixa elevava o percentual para 5,5%, o valor por dependente para R$ 870, e, para os maiores, o valor mensal subia para R$ 1.050. Uma nova proposta teria chegado a 4,5%, mas também teria sido negada. Nas assembleias, 93 bases sindicais decidiram pela paralisação, em 4 de setembro e, com isso, começaram a organizar a preparação das agências para informar os clientes. Em outras 35 bases, houve rejeição, mas opção por negociar. Nas demais, a proposta foi aprovada. O Comando Nacional de Greve dos bancários retomou as negociações com a Caixa e o BB na noite de quarta (9). Nesta quinta (10), nova rodada de reunião voltou a ocorrer, mas o resultado ainda não havia sido divulgado até a publicação deste texto. Em nota, a Caixa afirma que "mantém aberto o diálogo com as entidades representativas dos empregados e segue comprometida com a renovação do acordo coletivo de trabalho". "O objetivo é construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade", diz o banco público. No caso do Banco do Brasil, também há um impasse quanto ao custeio do plano de saúde. Nas assembleias, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro, entre eles, São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Niterói (RJ) e Jundiaí (SP). A maioria (60 sindicatos), no entanto, rejeitou e decidiu pela retomada das negociações, dentre eles Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS), Pernambuco e Florianópolis (SC). Mas 27 sindicatos optaram pela greve a partir desta quinta, incluindo Belo Horizonte (MG), Bahia, Ceará e Piauí. O Banco do Brasil diz participar da mesa única da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), com presença de todos os bancos, e ter mesa específica para debater demandas de seus funcionários. Segundo Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e participante do comando de greve, parar é um direito constitucional dos trabalhadores e os bancos devem organizar formas de atender seus clientes.REAJUSTE SALARIAL Os funcionários dos demais bancos terão o reajuste, conforme acordo assinado com os empregadores. O índice de correção dos salários será conhecido nesta sexta-feira (11), e corresponde à inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) de setembro de 2025 a agosto de 2026 mais 0,6% de aumento real. No caso da PLR, não há valor fixo, pois depende do salário do trabalhador e do lucro obtido pelo banco. O benefício é composto por duas partes: a chamada regra básica, calculada a partir de 90% do salário-base e das verbas salariais fixas, acrescida de uma parcela fixa, mais a parcela adicional, que corresponde à distribuição de 2,2% do lucro líquido do banco, em partes iguais entre os empregados elegíveis. Existem limites individuais e limites relacionados ao lucro de cada banco. A PLR referente a 2026 será paga até o final de março de 2027, mas haverá uma antecipação ainda neste mês. Segundo o Sindicato de São Paulo, Osasco e Região, essa antecipação também terá uma parte calculada sobre o salário e outra vinculada ao lucro do banco no primeiro semestre.
Greve fecha ag�ncias da Caixa em SP e no Paran�; o que fazer para pagar contas e o que est� em jogo
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