Grandes petroleiras enfrentam dilema de US$ 32 bi com ganhos da guerra no Ir�

Grandes petroleiras enfrentam dilema de US$ 32 bi com ganhos da guerra no Ir�

Londres |Financial Times As maiores petroleiras internacionais enfrentam um dilema de US$ 32 bilhões (R$ 160 bilhões) sobre o que fazer com os enormes ganhos obtidos com o conflito no Oriente Médio. ExxonMobil, Shell, Chevron, TotalEnergies e BP somaram mais de US$ 75 bilhões (R$ 375 milhões) em lucros ajustados no primeiro semestre deste ano, alta de 75% em relação aos US$ 43 bilhões (R$ 215 bilhões) registrados no mesmo período de 2025. O fluxo de caixa livre dessas empresas quase dobrou. Vista aérea da refinaria da Chevron em Pasadena, nos arredores de Houston, Texas (EUA) - Shahrzad Rasekh - 31.jul.26/Reuters À medida que se preparam para divulgar os resultados do terceiro trimestre, ainda neste mês, os investidores querem saber como as companhias pretendem destinar o dinheiro extra. As grandes petroleiras se beneficiaram de preços do petróleo bruto, em média, um terço mais altos desde o início do ano. A guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que provocou grandes perturbações nos mercados de energia, continua. Os preços do gás natural na Europa subiram 155% desde o início do conflito, em fevereiro, enquanto os do diesel quase dobraram. As equipes de negociação das empresas também registraram retornos elevados. O desempenho lembra os ganhos extraordinários obtidos pelo setor em 2022, quando a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia desencadeou uma crise energética na Europa e os lucros das cinco petroleiras cresceram 125%. Desta vez, porém, elas escaparam até agora de impostos sobre ganhos extraordinários. A BP afirmou nesta semana que usará os recursos extras para reduzir suas dívidas e outros passivos em US$ 9 bilhões (R$ 45 bilhões) a US$ 10 bilhões (R$ 50 bilhões) no terceiro trimestre, superando com folga suas metas. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões A nova presidente-executiva, Meg O’Neill, deixou claro, no entanto, que recuperar o balanço patrimonial fragilizado da companhia é a prioridade absoluta. "Agora não é o momento de aumentarmos os gastos", disse ela neste mês, durante o fórum Energy Intelligence, em Londres. "Precisamos continuar concentrados em recuperar o balanço patrimonial e não nos deixar levar demais pelo preço de destaque." Os executivos têm evitado assumir compromissos de ampliar os gastos ou anunciar grandes aquisições, diante da incerteza sobre a duração da guerra no Irã e a permanência dos preços elevados da energia. "Ainda é um pouco cedo no conflito para mudar completamente os planos. Por isso, a maioria das empresas está enfatizando a disciplina de capital e dizendo que não vai embarcar em uma onda de gastos gigantesca, como vimos em outros ciclos de alta", disse Martijn Rats, chefe de pesquisa de petróleo e gás na Europa do Morgan Stanley. Ele acrescentou que a duração atual da guerra, pouco superior a sete meses, "ainda é curta em relação ao horizonte de planejamento dessas empresas". A TotalEnergies foi a primeira das grandes petroleiras a apresentar sua estratégia atual. No mês passado, a companhia se comprometeu a aumentar os dividendos todos os anos até 2030 e ampliar a recompra de ações. "Há espaço para oferecer retornos elevados aos acionistas", afirmou o presidente-executivo, Patrick Pouyanné, durante a apresentação do dia do mercado de capitais da empresa. A maioria dos analistas espera que outras companhias sigam o mesmo caminho, desde que estejam confiantes de que os preços mais altos da energia vão persistir. Mike Wirth, presidente-executivo da Chevron, também afirmou que os ganhos extraordinários "pertencem aos nossos acionistas" e devem ser devolvidos a eles ao longo do tempo. A empresa, que já havia prometido conter os investimentos, vai "manter muita disciplina" nos gastos apesar do aumento dos lucros, disse Wirth ao Financial Times. A Chevron espera elevar seus investimentos de capital para entre US$ 18 bilhões (R$ 90 bilhões) e US$ 19 bilhões (R$ 95 bilhões) neste ano, ante pouco mais de US$ 17 bilhões (R$ 85 bilhões) no ano passado e US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões) em 2024. Depois que os balanços das empresas se fortalecerem e os pagamentos aos acionistas aumentarem, porém, as companhias provavelmente sofrerão pressão para direcionar o dinheiro extra à ampliação de suas reservas de petróleo e gás. Nesse cenário, devem dar preferência a projetos que gerem retornos rápidos. Em vez de explorar novas bacias, as empresas têm se concentrado, nos últimos anos, em procurar petróleo perto de plataformas e oleodutos já existentes. Essas descobertas são mais baratas e podem entrar em operação mais rapidamente. Russell Hardy, presidente-executivo da trading de petróleo Vitol, disse que mais dinheiro começará a ser direcionado a "projetos nos quais seja possível investir no curto prazo". "A ideia de encontrar uma grande reserva, avaliar seu potencial, desenvolvê-la e começar a produzir em 2039 não empolga os mercados acionários", afirmou. "As pessoas estão tentando colocar projetos em operação muito, muito mais rapidamente." A bonança também pode reavivar as operações de fusões e aquisições em um setor que passou por ciclos de consolidação, sobretudo nos Estados Unidos. Até agora, porém, a volatilidade dos preços do petróleo tem dificultado que compradores e vendedores cheguem a avaliações consideradas justas. "Tudo isso leva a fusões e aquisições, porque é preciso fazer alguma coisa com todo esse dinheiro", disse Micah Smith, um dos líderes da área de petróleo e gás da consultoria McKinsey. Mas os preços do petróleo bruto precisariam recuar dos níveis atuais, acima de US$ 100 (R$ 500) por barril, para a faixa dos US$ 70 (R$ 350), e permanecer estáveis, antes que as operações de aquisição provavelmente ganhassem força, acrescentou Smith. Um destino inesperado para os novos investimentos pode ser o refino, setor que tem sido pouco valorizado na Europa e nos Estados Unidos, onde muitas das grandes petroleiras venderam uma parcela significativa de seus ativos. "Os negócios de negociação e refino vivem, na prática, das mesmas perturbações subjacentes", disse Rats, do Morgan Stanley. Ele observou que empresas de negociação de commodities, como Vitol e Trafigura, compraram muitas das refinarias vendidas pelas grandes petroleiras internacionais.

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