Governo Trump volta a atacar diretores do Fed ap�s relat�rio sobre banco que faliu

Governo Trump volta a atacar diretores do Fed ap�s relat�rio sobre banco que faliu

Londres e Washington |Financial Times A Casa Branca atacou duramente um alto funcionário do Fed (Federal Reserve) após um novo relatório afirmar que o banco central dos EUA foi tímido demais ao enfrentar os problemas do SVB (Silicon Valley Bank) e diagnosticou incorretamente as razões da falência do banco. A análise aprofundada do Starling Advisory Group, publicada nessa sexta-feira (18), identificou falhas e vulnerabilidades na forma como o Fed lidou com a quebra da instituição em 2023 —período em que o diretor do Fed Michael Barr era responsável pela supervisão bancária no banco central dos EUA. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou na sexta-feira que o relatório mostrou que Barr "não cumpriu seu dever durante todo o fiasco". Agência do banco Silicon Valley Bank em Santa Clara (EUA), antes da quebra do banco em 2023 - Brittany Hosea-Small - 13.mar.23/Reuters "O presidente [Donald] Trump vem denunciando repetidamente a má gestão e a incompetência no Federal Reserve nos últimos anos, e o relatório preliminar de hoje (sexta-feira) sobre a resposta do Fed à quebra do Silicon Valley Bank reforça essa lamentável realidade", afirmou Desai. Barr não quis comentar. As declarações representam o mais recente ataque do governo Trump ao Fed. O presidente tentou demitir a diretora Lisa Cook por acusações de fraude hipotecária, até que a Suprema Corte dos EUA bloqueou suas tentativas. Cook nega as acusações. O governo também abriu uma investigação criminal, posteriormente arquivada, contra Jerome Powell, ex-presidente do Fed, por seu depoimento a uma comissão do Senado sobre os estouros de custos na reforma da sede do banco central dos EUA. Powell, que também nega as alegações, foi chamado de "imbecil" e "burro" por Trump por se recusar a reduzir drasticamente os juros. O presidente, que indicou Kevin Warsh para substituir Powell —cujo mandato acabou em 15 de maio— na presidência do Fed, afirmou que o aumento da taxa de juros promovido pelo banco central nesta semana foi decidido por um conselho "muito hostil... muito político". Ele evitou críticas contra Warsh no mesmo teor que adotou contra o antecessor. Michelle Bowman, que assumiu a supervisão bancária no Fed como vice-presidente de supervisão quando Trump retornou à Casa Branca, afirmou que o relatório da Starling, encomendado por ela, "não tinha o objetivo de atribuir culpa" e que ele ressaltava a necessidade de uma reforma significativa. Há muito tempo existem receios de que o relatório da consultoria possa ser usado como arma política para atacar Barr, indicado durante o governo Joe Biden que tem criticado a recente guinada do governo Trump em favor da flexibilização das normas bancárias. As conclusões da Starling podem contradizer muitas das conclusões do relatório inicial do Fed sobre as causas do colapso do SVB, conduzido por Barr antes de ele propor um grande endurecimento das restrições aos bancos dos EUA em resposta à crise de 2023. Há muito tempo, alguns em Washington veem o relatório do Fed com desconfiança, enquanto formuladores de políticas democratas acusam Bowman de usá-lo para desacreditar seus rivais e justificar sua campanha pela flexibilização das normas bancárias. Elizabeth Warren, principal democrata na Comissão Bancária do Senado, afirmou que se tratava de "uma tentativa constrangedora de reescrever a história, concebida para abrir caminho para uma desregulamentação ainda mais perigosa, que levará ao desastre de um outro Silicon Valley Bank". Bowman disse que o relatório mais recente rejeitou as alegações de que o fracasso do Fed em enfrentar os problemas do SVB havia sido causado por medidas anteriores de flexibilização da regulamentação bancária. O relatório também não encontrou "nenhuma evidência de que as redes sociais tenham acelerado a corrida" aos saques no SVB, como havia afirmado o relatório do Fed de 2023. Os funcionários do banco central não enfrentaram os problemas do SVB três anos atrás por causa de uma "cultura de aversão ao risco", disse Bowman. Os supervisores "sabiam, ou deveriam saber" das inúmeras vulnerabilidades que acabaram levando a instituição à quebra e desencadeando uma crise mais ampla. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões"Os funcionários acreditavam que, do ponto de vista pessoal, era mais seguro não tomar nenhuma medida, a menos que tivessem certeza de que aquela medida era exatamente a correta", afirmou. "A falta de clareza sobre quem tinha o poder de decisão agravou essa cultura de aversão ao risco." No futuro, os examinadores bancários do Fed terão de apresentar relatórios mensais aos responsáveis pela supervisão em âmbito regional, identificando quaisquer problemas ou preocupações em busca de clareza sobre a necessidade de agir. Sediado na Califórnia, o SVB protagonizou a segunda maior quebra bancária da história dos Estados Unidos, provocando uma onda de apreensão no sistema que também levou os bancos Signature Bank e First Republic ao colapso posteriormente. A turbulência só diminuiu quando os reguladores garantiram todos os depósitos bancários sem seguro. Bowman afirmou que a quebra do SVB foi causada por grandes perdas contábeis não realizadas em suas posições em títulos da dívida do governo dos EUA, cujo valor caiu após uma forte alta dos juros em 2022, além de depósitos voláteis de empresas de tecnologia, em sua maioria sem seguro. O banco também sofreu com "a falta de preparação operacional" para tomar empréstimos do Fed oferecendo seus ativos como garantia, depois de ser atingido por grandes retiradas de depósitos. Os reguladores deram dezenas de advertências formais ao banco pouco antes da crise. No entanto, muitas delas diziam respeito à tecnologia, à conformidade e aos riscos operacionais da instituição, e não às vulnerabilidades financeiras que acabaram levando à sua derrocada, segundo o relatório. Recentemente, os reguladores anunciaram planos de concentrar mais sua atenção nos principais riscos financeiros dos bancos, reduzindo a ênfase dada a outras questões. Bowman afirmou que o Fed estava "enfrentando diretamente o problema cultural" ao priorizar as ameaças à saúde financeira dos bancos ou à estabilidade do sistema como um todo, em vez de se concentrar excessivamente em procedimentos e documentação.

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