Quando se pensa que os Bolsonaros já bateram no fundo do poço do golpismo, eles descem um degrau. Flávio, candidato do PL derrotado na eleição deste domingo, fugiu do país e, do seu esconderijo suspeito de ser regado a dinheiro sujo do Banco Master nos Estados Unidos, proclamou-se o verdadeiro presidente do Brasil. Talvez alertado de que o termo poderia lhe render novas perturbações criminais, logo editou a carta. O "presidente" virou "líder", mas a mentira de que teria havido fraude persistiu. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 4,4 milhões de votos a mais que o seu adversário, diferença maiúscula, impossível de ser conquistada nas duas horas extras em que o escrutínio ficou aberto por uma decisão judicial estapafúrdia. O filho pirateia a conduta delinquente do pai, Jair, quando há quatro anos perdeu a reeleição. A diferença é que, fora do governo, Flávio não tinha como assediar os comandantes militares para praticarem um golpe. Mas o discurso arruaceiro sobre as eleições é o mesmo, assim como o desprezo atávico pela democracia. Foi apenas recuo tático do senador a propalada desistência, na segunda-feira (26), de questionar a lisura da eleição. A verborragia autoritária voltou tão logo pisou em solo americano, depois que uma decisão política e desnecessária do ministro Alexandre de Moraes, ao determinar a apreensão de seus passaportes, lhe deu de presente um pretexto para posar de vítima. O filho emula o pai também na tentativa de manter-se à testa da oposição mesmo depois de uma atitude covarde de renúncia. A covardia de Jair Bolsonaro foi ter perseguido uma via subversiva para manter-se no poder. Quando optou por esse caminho ele renunciou a admitir a derrota, organizar as forças aliadas e tentar eleger-se de novo em 2026. Era ganhar na violência ou ser agarrado pela lei se fracassasse. Fracassou e foi condenado. Ainda assim, o PL rendeu-se à influência do ex-presidente preso e reduziu a sucessão presidencial a uma questão familiar. Entregou a Lula o melhor adversário possível. O espectro da volta do bolsonarismo, na figura de Flávio, despertou tanto medo nos eleitores que produziu a façanha da virada no segundo turno. A covardia de Flávio foi fugir do país horas depois de ter obtido quase 60 milhões de votos. Ao optar pelo refúgio dourado sob a proteção de Donald Trump, Flávio Bolsonaro renunciou a liderar a oposição no próximo ciclo eleitoral. A "carta" da Flórida tenta desfazer essa conclusão óbvia. Funciona como tentativa de intimidar os partidos que farão oposição ao petista para que submetam-se a um comandante fujão. Quem caiu uma vez na armadilha de Jair só se enredará na segunda, urdida por seu primogênito mofino, se for idiota. O Brasil e a centro-direita se beneficiarão do enterro das possibilidades presidenciais dessa família autoritária, ignorante e incompetente. É hora de olhar para a frente.
Golpismo nunca mais
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