O Governo de São Paulo estendeu o prazo para que o consórcio encabeçado pela Azevedo & Travassos pague a outorga para a assinatura do contrato de concessão da Rota Mogiana, que abrange mais de 500 km de estradas no interior de São Paulo. A construtora e a Quimassa Infraestrutura, que também participa do consórcio, terão até 14 de agosto para apresentar os documentos e realizar o pagamento de R$ 1,085 bilhão oferecido no leilão realizado em fevereiro deste ano. Sem o pagamento, o consórcio fica impedido de assinar o contrato da concessão. Na ocasião, a proposta das empresas superou a oferta de R$ 1,02 bilhão da MC Brasil, do Fundo Mubadala. A EPR havia proposto R$ 560 milhões, e a Motiva (ex-CCR) apresentou o valor de R$ 180,28 milhões. A Azevedo & Travassos disse em comunicado a investidores nesta quinta-feira (30) que realizou aporte de aproximadamente R$ 43,5 milhões para integralização de metade do capital social da Rota Mogiana SPE, concessionária criada pelo consórcio para administrar as estradas. Ainda de acordo com a construtora, a Quimassa Infraestrutura fez a integralização de capital de mais R$ 43,5 milhões. A integralização do capital social é feita pelos sócios para formar o patrimônio da sociedade. O montante não está relacionado ao pagamento da outorga. "A companhia informa, ainda, que apresentou todos os demais documentos exigidos, tendo sido solicitada a prorrogação do prazo para conclusão das condições precedentes à assinatura do contrato de concessão para o dia 14 de agosto de 2026", escreveu a Azevedo & Travassos no comunicado. Procurada pela Folha, a empresa disse que comentaria somente por meio do comunicado aos investidores. A SPI (Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo) disse em nota que a prorrogação do prazo para atendimento das exigências previstas no edital foi concedida "conforme possibilidade estabelecida no próprio instrumento convocatório". "O novo prazo se encerra em 14 de agosto de 2026, e o processo segue regularmente os ritos previstos para a formalização da concessão", escreveu a pasta em nota. A Rota Mogiana é um projeto "brownfield" (com ativos e áreas já existentes) e abrange 520 km de rodovias que atualmente estão sob administração do DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo) e da concessionária Renovias. O governo estadual prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões. A concessão corta 22 cidades. O projeto abrange rodovias como SP-333, SP-338, SP-342, SP-350, SP-344, SP-107, SP-133 e SP-215. As melhorias incluem duplicação de 217 km de estradas, implantação de 138 km de terceiras faixas, construção e adequação de 151 dispositivos de acesso, adequação ou implantação de 96 km de marginais, construção de 59 novas passarelas, adequação ou construção de 135 pontos de ônibus e implantação de um contorno viário. O contrato de concessão tem prazo de 30 anos. Até 23 de setembro de 2025, o grupo Azevedo & Travassos tinha em seu bloco de controle a gestora de investimentos Reag, investigada por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro e fraudes de combustíveis do PCC na operação Carbono Oculto, da Receita Federal e do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). No ano passado, um consórcio liderado pela empreiteira venceu o leilão de concessão federal da Rota do Agro, a rodovia que liga Rio Verde (GO) a Rondonópolis (MT). No entanto, o grupo foi desqualificado meses depois pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Segundo ata da agência reguladora na época, a justificativa para a decisão tinha "base na irregularidade das certidões trabalhistas dos administradores dos fundos de investimentos consorciados" e também porque o seguro garantia emitido pela Reag "não manteve suas condições regulares, havendo fundado risco à sua exequibilidade e à sua eficiência".
Gest�o Tarc�sio estende prazo para que Azevedo & Travassos pague R$ 1,1 bi pela Rota Mogiana
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