Fundador da Evergrande � condenado a pris�o perp�tua na China

Fundador da Evergrande � condenado a pris�o perp�tua na China

O fundador do China Evergrande Group, a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo, foi condenado à prisão perpétua por um tribunal chinês nesta quinta-feira (20), cinco anos depois de o colapso da empresa abalar a economia e os mercados financeiros do país. Hui Ka Yan, que já foi o homem mais rico da Ásia, declarou-se culpado em abril de oito acusações, entre elas uso indevido de recursos, fraude na captação de recursos, recebimento ilegal de depósitos do público, concessão ilegal de empréstimos, emissão fraudulenta de valores mobiliários e suborno. A Evergrande, que já foi a principal incorporadora da China, deixou de pagar a maior parte de seus US$ 300 bilhões (R$ 1,55 trilhão) em dívidas. Seus problemas simbolizam uma crise no setor imobiliário que há muito pesa sobre a segunda maior economia do mundo. 'E O NOSSO DINHEIRO?' A sentença proferida na cidade de Shenzhen, no sul do país, que incluiu o confisco de todos os bens pessoais de Hui, põe fim à sua trajetória da pobreza à riqueza, mas dificilmente trará algum alívio aos credores nacionais e estrangeiros da Evergrande. Os liquidantes da Evergrande não quiseram comentar a sentença. A Reuters não conseguiu entrar em contato com os representantes legais de Hui, que não era visto em público desde que as autoridades chinesas o detiveram em 2023, após a Evergrande deixar de honrar suas dívidas. Em imagens divulgadas pelo tribunal, Hui, de 67 anos e cabelos grisalhos, aparece entre dois agentes, vestindo uma camisa azul-marinho de mangas compridas e com colarinho, enquanto o tribunal lia sua sentença. "Os atos criminosos do Evergrande Group, da Hengda Real Estate e de Hui Ka Yan [...] envolveram valores excepcionalmente elevados e circunstâncias gravíssimas, provocaram perdas econômicas particularmente significativas e danos sociais especialmente graves, e devem ser punidos com rigor, de acordo com a lei", afirmou o tribunal em comunicado. Entre os comentários de compradores de imóveis da Evergrande em um grupo de rede social estavam: "Todos os cidadãos comuns pagaram a conta", "A prisão serve para protegê-lo. Se ele sair, sua vida estará em risco" e "E o nosso dinheiro?". Além da pena imposta a Hui, o tribunal informou ter multado a Evergrande em 8,82 bilhões de yuans (US$ 1,31 bilhão) e sua principal subsidiária, a Hengda, em 7 bilhões de yuans, além de condenar outros cinco altos executivos a multas e penas de prisão que variam de seis a 18 anos. Ao todo, 56 pessoas ligadas à Evergrande, além de Hui, foram condenadas nesta quinta-feira, informou a emissora estatal CCTV. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. A incapacidade da empresa de reembolsar bilhões de dólares em produtos de gestão de patrimônio desencadeou protestos que ameaçaram a estabilidade social, depois que investidores comuns, muitos deles de baixa renda, perderam tudo o que haviam aplicado. LIQUIDAÇÃO DA EVERGRANDE SE ARRASTA POR ANOS Ex-técnico siderúrgico criado pela avó em um vilarejo rural da província central de Henan, Hui fundou a Evergrande em 1996 e a transformou na maior incorporadora imobiliária da China em vendas contratadas, assumindo dívidas de forma agressiva. Em 2017, Hui tinha um patrimônio líquido de US$ 45,3 bilhões, o maior da Ásia, segundo a Forbes. Um tribunal de Hong Kong ordenou a liquidação da Evergrande em 2024, e a Bolsa de Valores de Hong Kong retirou suas ações de negociação no ano passado, encerrando uma turbulenta saga de ascensão e queda. O processo de liquidação tem avançado em ritmo glacial, segundo os liquidantes, com apenas cerca de US$ 255 milhões (R$ 1,3 bilhão) em ativos vendidos até agosto passado, diante de reivindicações de credores que totalizam US$ 45 bilhões (R$ 233 bilhões). Fora da China continental, os liquidantes travam uma batalha judicial para congelar os ativos de Hui e de sua ex-esposa no exterior, numa tentativa de recuperar US$ 6 bilhões em dividendos e remunerações pagos ao fundador e a outros ex-executivos. Em 2024, o órgão regulador do mercado de valores mobiliários da China multou Hui em US$ 6,6 milhões (R$ 34 milhões) e o baniu desse mercado pelo resto da vida, após concluir que a principal unidade da Evergrande havia inflado seus lucros e cometido fraude com valores mobiliários.

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