F�s criam chaveiro com tampa de garrafa d'�gua para entrar em shows do BTS; entenda proibi��o

F�s criam chaveiro com tampa de garrafa d'�gua para entrar em shows do BTS; entenda proibi��o

Fãs encontraram uma solução para entrar com tampas de garrafa d'água nos shows do BTS na última semana, em São Paulo. Barrado na entrada de eventos, o objeto foi personalizado como chaveiro, para passar camuflado na revista. Nos meses anteriores à apresentação, no estádio Morumbis, tutoriais nas redes sociais ensinavam como personalizar a tampinha e lojas online ofertavam o produto temático, feito com impressão 3D. A Made in Korea Minas, em Belo Horizonte, vendeu em outubro cerca de 200 tampinhas produzidas com a tecnologia. A ideia veio de uma cliente, que comentou sobre a proibição de garrafas lacradas. "Como somos fãs e vimos essa necessidade, replicamos o projeto em impressora 3D para que mais pessoas tivessem acesso e pudessem aproveitar o show com tranquilidade", diz a proprietária. Cada um saía por R$ 15. A farmacêutica Mariana Lorencetti, 24, viu anúncios de chaveiros, mas achou caro para um item que podia ser descartado. Então criou o seu próprio. Testou diferentes materiais e fez dois moldes até acertar. "Mas valeu a pena", diz a fã, que conseguiu entrar com o lacre. Ela afirma que a revista no estádio foi corrida e viu pessoas entrando com a garrafa tampada. Ao pesquisar o que levar para o seu primeiro show na vida, o do BTS, Lorencetti viu relatos sobre ficar sem água devido à regra. "Porque derrubava da garrafa na correria para pegar grade, ou porque não dava pra colocar a garrafa na bolsa ou no chão e aproveitar o show com as mãos livres", diz. "Então levei isso como um problema." "Não conheço muito bem os motivos que levaram à proibição. Entendo que seja uma medida de segurança importante, mas também entendo o lado dos fãs por quererem a praticidade de poder guardar a garrafa tampada sem medo de derrubar em si ou nos outros", opina a fã. As buscas por chaveiros temáticos do BTS cresceram 63% de abril, quando a turnê foi anunciada, a outubro na Shopee. Já as vendas aumentaram 138% em outubro, segundo levantamento da plataforma. Não dá para saber, porém, se as pesquisas visavam os chaveiros-tampas. Um site que disponibiliza modelos de impressão em 3D de graça mostra 788 downloads em dois meses de um design temático do BTS que pode ser rosqueado em garrafa. A ideia, no entanto, não é exclusiva do k-pop. Perfis em redes sociais e plataformas como Shopee e Mercado Livre ofertam o produto com temas variados. ENTENDA A REGRA O decreto federal 13.109, sancionado em agosto deste ano, estabelece que os responsáveis pela organização de shows, festivais e outros eventos em espaços abertos ou fechados devem permitir a entrada de consumidores com garrafas e outros recipientes de uso pessoal que contenham água potável para consumo. A medida afirma ainda que a organização pode estabelecer restrições quanto aos materiais das garrafas e outros recipientes, desde que limitadas ao necessário para garantir a segurança e a integridade física dos consumidores. Isso deve ser divulgado previamente ao público. A Live Nation, responsável pelos shows do BTS no Brasil, confirmou que as tampas eram proibidas, mas não respondeu o que motivou a interdição do item. A produtora informou previamente ao público que era permitida a entrada de água mineral para consumo próprio, em garrafas ou copos de até 600 ml, sem tampa, desde que não fossem de vidro, metal ou materiais que oferecessem riscos à segurança. Anunciou também que todos estariam sujeitos à inspeção e revista corporal, e objetos não autorizados seriam descartados.Uma garrafa d'água cheia e fechada vira um objeto que pode ser arremessado, o que coloca a segurança de espectadores, profissionais e artistas em risco. Por isso, as tampas são removidas. É o que explica Mara Natacci, advogada especializada em entretenimento. "Numa eventual briga, a garrafa cheia vira arma e machuca as pessoas", diz. Ao remover a tampinha, se a garrafa for arremessada, a água escorre, o objeto perde peso e machuca menos, afirma a advogada. Os shows têm sido pacíficos, diz Natacci, mas já houve casos de brigas e confusões em que garrafas eram arremessadas. "Algumas medidas são tomadas para resguardar a segurança de todo o público", afirma. A questão remonta a um episódio que ocorreu há 25 anos, quando Carlinhos Brown sofreu uma "garrafada" durante apresentação no Rock in Rio. A partir de então, a entrada de garrafas de água em shows foi vetada. A regra, porém, foi modificada quando uma fã de 23 anos morreu durante show da cantora Taylor Swift no Rio de Janeiro, em novembro de 2023. Ana Clara Benevides sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu após passar mal no Engenhão, onde os termômetros registraram uma sensação térmica de 60°C. O Ministério da Justiça sancionou na época medida provisória que autorizava a entrada de garrafas d'água de uso pessoal em shows e festivais. Além disso, exigia que a produção disponibilizasse bebedouros ou distribuísse embalagens individuais de água de graça e com fácil acesso. Ao mesmo tempo, o local também pode comercializar a bebida. Foi essa medida que se transformou em decreto federal em agosto deste ano. Em estádios e locais de grande aglomeração, o que pode ou não entrar é determinado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. No caso da água, o órgão afirma em nota que as medidas devem considerar a particularidade de cada evento, conciliando a garantia de acesso à hidratação com a prevenção de riscos à segurança coletiva. "A retirada das tampas possui caráter preventivo e não significa que toda garrafa com tampa represente, isoladamente, risco concreto à segurança", afirma a Polícia Militar paulista. O objetivo é minimizar a chance do objeto ser utilizado para ser arremessado, reduzindo o potencial de lesões. O órgão não atua em casas de shows, e a definição do tipo de embalagem permitida depende de cada estabelecimento, explica Natacci. Ainda assim, o local é obrigado a disponibilizar bebedouro ou distribuição gratuita de água. A tampinha é geralmente descartada durante a revista na entrada do espaço onde é realizada a apresentação. "A pessoa não entra até descartá-la ou esvaziar a garrafa", diz a advogada. A proibição ainda pega fãs de surpresa, que costumam reclamar da exigência e questionam sua praticidade. Procurado para falar se considera a medida abusiva e quais são os direitos do consumidor, o Procon-SP se limitou a dizer que não constam registros de reclamação de consumidores sobre a proibição de entrada de garrafas com tampa em 2026. Natacci lista opções permitidas, como copo d'água plástico pequeno lacrado ou embalagens flexíveis, como squeezes. A lógica é pensar se aquilo é arremessável e pode causar ferimentos, ela resume. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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