Milão O bartender e empresário Márcio Silva mostra os números, num aplicativo de celular, do quanto já circulou desde janeiro: foram 278 mil km em aviões, em 66 viagens para mais de 30 países. Isso ajuda a explicar, segundo ele, por que o Exímia, no Itaim Bibi, em São Paulo, foi eleito o 20º melhor bar do mundo pelo ranking 50 Best, um dos mais importantes do setor. Foi a melhor posição do Brasil na edição deste ano, anunciada nesta quarta (7) em Milão, na Itália. O bartender Márcio Silva - Keiny Andrade - 4.mai.18/Folhapress Nessas viagens, ele participa de masterclasses e debates, concede entrevistas, dá aulas e encontra outros nomes da indústria. Seu trabalho, diz, não se resume a ir para o bar e fazer um coquetel. "Isso é 1%. Os outros 99% é fazer a comunicação fora do Brasil", afirmou à Folha após a premiação. "Existe o lobby, mas existe muita consistência de trabalho em São Paulo." O Exímia se dedica a ingredientes brasileiros, incluindo influências recebidas de outros países. As escolhas, que unem palo santo e tangerina ou aguardente de pera e jabuticaba, são definidas em estudos das raízes nacionais. "Não existe nada feito no Exímia simplesmente para misturar e ficar gostosinho. Existe uma base com estudo de vários antropólogos, existe um estudo de originalidade", diz Márcio. "Estudamos a antropologia do Brasil sem fronteiras", afirma ele, que prepara uma nova carta de drinques para novembro. Aos 49 anos, Márcio é uma personalidade respeitada no exterior. Uma fila de pessoas se formou para cumprimentá-lo após a premiação do 50 Best. O feito, afinal, é notável. Aberto há apenas dois anos, o Exímia pulou do 61º lugar em 2025 para o 20º de agora, um total de 41 posições. Para Curtir SP Receba no seu email um guia com a programação cultural da capital paulistaUm voo que não ocorreu sem turbulências. Logo após a estreia na lista no ano passado veio a crise do metanol, com casos de destilados adulterados em bares que causaram intoxicações e mortes. O episódio abalou o faturamento e o Exímia precisou se repensar. Márcio e os sócios do Grupo Locale decidiram mudar de endereço e, na transição, operaram no bar do hotel Rosewood. O espaço atual do Itaim Bibi, inaugurado em abril, é mais intimista e conta com sete pessoas no serviço, entre salão, bartenders e assistente. Márcio há tempos não trabalha à noite. Além de treinar a equipe, atua mais como um diretor de comunicação e nas decisões com os sócios. Ele sente falta do balcão? A resposta é não. "Me posicionei na indústria como mentor e empresário. Não sinto falta porque veio uma geração incrível que eu estou conseguindo treinar", diz ele, que é pai de uma menina de um ano. "Quando estou no Brasil, estou com ela. Abdico de muita coisa para mostrar nossa cultura para fora." Parte de sua atividade é ficar atento às mudanças do setor. As viagens e os contatos com donos de bares e influenciadores pelo mundo servem para identificar tendências. "Antigamente o cliente ficava até 2h bebendo, hoje meia-noite já é um bar vazio. As pessoas estão indo para um lado mais saudável, e o mercado tem de se adaptar", diz. A celebração pelo reconhecimento do 50 Best significa também a volta dele à lista dos melhores. Em 2019, o bar paulistano Guilhotina, sob seu comando, chegou à 15ª posição, a melhor até hoje para um bar brasileiro. Foi a consagração de uma carreira que começou em Londres, na Inglaterra, e ganhou atenção nacional quando ele chegou ao Subastor em 2009, onde fez deslanchar a coquetelaria contemporânea em São Paulo. "O Exímia é um trabalho mais maduro, eu como brasileiro, e não como um brasileiro que cresceu na gringa", afirma. Exímia R. Manuel Guedes, 369, 2º piso, Itaim Bibi, região oeste. @eximiabar
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